11.10.08

Leucena



Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit.
Nomes Comuns: Leucena, Wild Tamarind, Koa haole
Familia: Mimosaceae
Origem: América Central e Caribe, México.

Descrição e Fenologia da Espécie
Arbusto ou árvore pequena, entre 5 e10 m de altura. Folhas alternas bipinadas, com 25 cm de comprimento; entre 4-9 pares de pinas, com 8-10 cm. Entre 11-17 pares de folíolos, de 9-12 mm, opostos, lanceolados, acuminados; de coloração verde-acinzentada. Inflorescência globosa, com pedúnculo de 5-6 cm de comprimento. As flores possuem corola e estames brancos; cálice com 2,5 mm, pétalas lineares; estames em número de 10 com aproximadamente 1 cm de comprimento, anteras pilosas. Ovário fracamente pubescente no ápice. Vagens agrupadas, lineares, achatada, com 10-15 cm de comprimento e 2 cm de largura, marrom-escura, com um bico no ápice; cada vagem contém aproximadamente 20 sementes de coloração marrom brilhante, oblonga-oval, achatada, com 6 mm de comprimento (Stone, 1970).

Ecologia da Espécie
Espécie muito prolífera e de rápido crescimento. Propaga-se exclusivamente por sementes, que são dispersadas principalmente por pássaros.

Faz auto-fecundação, de forma que até mesmo indivíduos isolados produzem sementes. Há um percentual pequeno de fecundação cruzada e são polinizadas por um número grande de insetos generalistas, incluindo abelhas de pequeno e grande porte (Global Invasive Species Database).

Floresce e semeia continuamente ao longo do ano, desde que haja umidade. Combinada à característica de auto-fecundação, o processo resulta na produção abundante de vagens e sementes (Global Invasive Species Database).

Regenera-se rapidamente após queimadas ou corte. As árvores têm vida curta, entre 20 e 40 anos, porém o banco de sementes tem longa viabilidade no solo, entre 10 e 20 anos (Global Invasive Species Database). Cada planta pode produzir até 2000 sementes por ano.

Uma vez estabelecida, é de difícil erradicação. Rebrota vigorosamente se cortada e requer tratamento químico.

Ambientes Preferenciais Para Invasão
Geralmente favorecida por solos calcários e degradados, sendo encontrada em ambientes secos e mésicos. É largamente encontrada ao longo de rodovias, em áreas degradadas, em áreas agrícolas, em pastagens e em afloramentos rochosos. Em áreas degradadas não chega a ser dominante, contudo nos outros casos, sim (Wagner et. al., 1999).

A espécie faz parte da lista de 100 mais agressivas espécies invasoras do planeta, da IUCN (União Mundial para a Conservação da Natureza).

Ocorrências Conhecidas
Leucaena leucocephala é largamente difundida no mundo sendo uma espécie extremamente problemática na Polinésia, Micronésia, Samoa Americana, ilhas Cook, ilhas Mariana, ilhas Galapagos, ilhas Marshall, Papua Nova Guiné, Palau e na costa do pacífico da Austrália, Cambódia, China, Indonésia, Irian Jaya, Malásia, Filipinas, Japão (ilha Ryukyu), Taiwan, Tailândia, Vietnã.

Na África, é invasora em Ghana, Seychelles, ilhas Reunião, África do Sul e Tanzânia.

Nas Américas, no México e na Califórnia e Havaí, Estados Unidos.

Além de ser particularmente freqüente na região sul e sudeste, onde pode ser encontrada invadindo áreas de pastagem, beira de estradas, pomares, lavouras perenes e terrenos baldios (Lorenzi, 2000).

Está adaptada como invasora também na caatinga nordestina, junto com outras espécies introduzidas para forragem, assim como em outros ambientes brasileiros.

Impactos
Forma denso aglomerados, excluindo todas as outras plantas e impedindo a circulação da fauna. Foi plantada para servir como forrageira mas, ao menos que seja roçada ou controlada, propaga-se rapidamente para áreas adjacentes (Smith, 1985). Seu controle é extremamente trabalhoso e oneroso em função da resistência da espécie a roçadas e ao fogo e ao banco de sementes de longa viabilidade no solo.

Possui altos teores de mimosina, substância tóxica aos animais não ruminantes se ingerida em grandes quantidades, que causa a queda de pêlos (Franco & Souto, 1986).

Manejo e Controle
Controle mecânico: Pode ser realizado com inúmeras roçadas sempre antes do início da produção de sementes ou, segundo Motooka et. al. (2002), com o manejo de bodes e cabritos, que se alimentam da espécie.

Controle químico: Deve ser feito com herbicida triclopir através de aspersão foliar. O herbicida também pode ser aplicado diretamente nos troncos, imediatamente após o corte, diluído 50% em óleo diesel. E, em alguns casos, apenas o óleo diesel aplicado imediatamente após o corte, se mostrou efetivo (Motooka et al., 2002).

Controle Biológico: Foi testada a eficácia do inseto Psyllide Heterophylla cubana na África do Sul e chegou-se à conclusão que o inseto pode causar defoliação cíclica das plantas, porém não as elimina, tendo resultados pouco efetivos (Global Invasive Species Database).

Toda ação de controle químico requer uso de equipamento adequado e material de segurança, como luvas e máscara. Seguir sempre as instruções do fabricante e proceder à devolução da embalagem.

Referências
FRANCO, A. A.; SOUTO, S. M. Leucaena leucocephala – uma leguminosa com múltiplas utilidades para os trópicos. Comunicado técnico: EMBRAPA – UAPNPBS. n. 2. 1986. 7p.
GLOBAL INVASIVE SPECIES DATABASE. www.issg.org
LORENZI, H. Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas e tóxicas. 3 ed. Nova Odessa, São Paulo: Instituto Plantarum, 2000. P. 402.
MOTOOKA, P. L.; CASTRO, D. N.; Nagai G.; Ching, L. Weeds of pastures and natural areas of Hawaii and their management. 2002. In press.
PIER - Pacific Island Ecosystems at Risk. Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit, Mimosaceae. Disponível em: http://www.hear.org/pier/leleu.htm Acessado em: 28/X/2003.
SMITH, C .W. 1985. Impact of alien plants on Hawai‘i's native biota. In: Charles P. Stone and J. Michael Scott, eds.. Hawai‘i’s Terrestrial Ecosystems: Preservation and Management. Cooperative National Park Resources Studies Unit, University of Hawaii, Manoa. p. 193.
STAPLES, W. S.; COWIE, R. H. Hawai`i's invasive species. Mutual publishing and Bishop museum press. 2001. p. 85-86.
STONE, B. 1970. The flora of Guam. Micronesica 6. p.299-300.


Fact sheets provided by The Horus Institute for Environmental Conservation and Development (Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental)

29.9.08

Água mineral feita a partir do mar chega aos EUA



Moradores de Miami, na Flórida (EUA), poderão a partir do próximo mês entrar em lojas de conveniência da cidade e levar pra casa uma nova garrafa de água mineral, a H2Ocean. Seria apenas mais uma marca no mercado, não fosse por um detalhe: a H2Ocean é feita a partir da água do mar, com aplicação da nanotecnologia. E mais. O processo foi desenvolvido por brasileiros.
A H2Ocean nasceu da experiência de dois cientistas, que começaram a desenvolver a tecnologia de controle de minerais em água dessalinizada. Isso ocorreu há dez anos.
Em seguida, somaram-se à dupla outros dois sócios. Em 2003, eles conseguiram a patente do processo e passaram a bater de porta em porta para tentar comercializar a água.
'Ao longo de dez anos, foram investidos cerca de US$ 2 milhões na companhia', diz Rolando Viviani, gerente de marketing da H2Ocean. Segundo ele, todas as pesquisas foram feitas com recursos próprios dos quatro sócios. Seus nomes, por enquanto, são mantidos em sigilo.

No início, o objetivo da H2Ocean era vender a água 'nanotecnológica' no Brasil. A empresa alega ter procurado a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2006 para realizar o pedido de registro do engarrafamento do produto. A resposta teria sido a de que não há legislação específica para que esse tipo de água seja vendido no país por conta da sua fonte: o mar.
Procurada, a Anvisa informou que a H2Ocean nunca entrou com um pedido de registro.
A empresa, entretanto, enviou ao Valor fac-símile da página da Anvisa na internet em que aparece o número do processo do registro e do protocolo, em nome de Aquamare Beneficiadora e Distribuidora de Água. A data de entrada é de outubro de 2006 e o pedido foi negado em março do ano passado. Em dezembro, a mesma Aquamare fez uma segunda tentativa, enviando uma carta à Anvisa em que pedia esclarecimentos sobre o que fazer para obter o registro. A resposta veio quatro meses depois, com a indicação de que a empresa deveria 'importar' uma legislação sobre o assunto. Ao Valor, a Anvisa também informou que 'a empresa interessada na produção (...) de água dessalinizada deve apresentar, preferencialmente por intermédio de uma associação, proposta de regulamentação para avaliação pela Anvisa'.
As dificuldades para se obter o registro no Brasil levaram a H2Ocean a mudar de estratégia. A empresa continua interessada em obter a aprovação da Anvisa, mas decidiu priorizar a busca por novos mercados. A opção foi pelos EUA. 'O registro da empresa saiu em três horas e a água foi analisada em 15 dias. Nos EUA, conseguimos resolver em três meses tudo o que não conseguimos aqui em quatro anos', afirma Viviani. O Valor, porém, não teve acesso ao registro obtido no exterior. A venda da H2Ocean começa nos Estados Unidos em agosto, em três estados: além da Flórida, Nova Jérsei e Atlanta. Foram embarcados oito contêineres do produto, feito inicialmente na fábrica de Bertioga, litoral sul de São Paulo. A unidade poderá ser desativada em breve. A produção deve ser transferida para os EUA no fim deste ano.

A nanotecnologia foi o instrumento utilizado pela H2Ocean para transformar a água do mar em água mineral dessalinizada. A água dos oceanos é rica em micro e macro nutrientes, como o boro, o cromo e o germânio - elementos dos quais o corpo humano necessita, em pequenas doses. Com a nanotecnologia, a H2Ocean conseguiu, a partir da água recolhida em alto mar, retirar o sal e manter grande parte dos minerais. Para chegar a esse resultado, os cientistas criaram um filtro com nanotecnologia aplicada, o nanofiltro. O processo inicial é o mesmo que se faz desde a década de 1940: a dessalinização. Depois de retirado o sal, restam duas opções, segundo Viviani: 'Ou todos os minerais são retirados da água ou ela continua salgada'. Com uma sequência de nanofiltragens, a H2Ocean conseguiu manter 63 dos 86 minerais contidos na composição inicial.

Surgiu a água do mar mineral. Para saber se o resultado é bom, o brasileiro vai ter de esperar. Ou passar em alguma 'deli' na próxima viagem à Disney. (Fonte: Gazeta Mercantil - Indústria - Pág C1 - 30.07.08)

23.9.08

O mundo cabe em um bonsai



• É possível imaginar árvores gigantes reduzidas a uns centímetros por homens que as "educam"?

POR ORTELIO GONZÀLEZ MARTÍNEX – especial para Granma Internacional

CIEGO DE ÁVILA.– O japonês Kyuzo Murata, um dos pais do bonsai moderno, andaria com gosto pela Galeria de Arte da cidade de Ciego de Ávila, a 420 quilômetros de Havana, onde há uns dias se reuniram os mais prestimosos bonsaistas cubanos, que participaram da 3a Convenção CubaBonsai 2005.


Ficus Retusa (loureiro), estilo floresta, com 14 anos. Grande Prêmio 2005 para o autor, Lorenzo Gonzalez Casuso

Uns trinta representantes de quase todas as províncias do país intercambiaram experiências a respeito desta arte viva, que percorre as criptas do espírito e apreende a quem se dedica a cultivá-la.

O mundo cabe num bonsai, se pode dizer. E quem assim pensa não lhe falta razão. Estas vidas diminutas, segundo definição, "plantas vivas, colocadas num vaso, sobre uma rocha ou planta, onde permanecem de forma quase perene".

"Não representam só a beleza natural de cada exemplar em questão, mas seu aspecto recorda algo mais: pode tratar-se de uma cena de um bosque, de uma parte deste, de uma majestosa árvore solitária, uma paisagem marinha, um lago, rio, um tanque..."

É o resultado de séculos de desenvolvimento e continua a evoluir.

Esta manifestação é o ponto de convergência de diversas disciplinas como a arte, a botânica e a filosofia, muito vinculadas entre si, sempre a caminho da perfeição.

E digo que o mundo cabe num bonsai porque penso na maquete da cidade de Havana, uma grande urbe reduzida a apenas 22 metros de comprimento por 10 de largura; ou no Monólogo do Bonsai, interpretado pelo artista Carlos Ruiz de la Tejera, que com fino humor político compara os países da América Latina com um pequeno jardim, onde os jardineiros pertencem ao FMI.


O bonsaista Jovany Borrego mostra ao público as características de um flamboaiã

Quanto à origem das árvores em miniatura, uma lenda chinesa sustenta que durante a dinastia Han (206 a.C – 220), um imperador mandou construir uma paisagem em seu quintal, que devia representar as montanhas, os rios, os vales e lagos de seu império. Depois se extasiava das janelas do palácio, como se tivesse o mundo a seus pés.

Mais para cá no tempo, em 1971, foram descobertos no gigante asiático os testemunhos mais antigos, na tumba do príncipe Zhang Huai, da dinastia Tang.

Segunda descreve a literatura, no ano 552 da nossa era, chega o budismo ao Japão e, com ele, as pequenas árvores. Assim, tudo o que provinha da cultura chinesa foi assimilado nas ilhas japonesas, até a arquitetura, a caligrafia, as cerimônias...

Apareceu até a peça teatral Hachi-no-ki (As árvores em vasos), uma das mais relevantes do mundo quanto a esse tema. A obra era baseada num conto popular muito arraigado no império do Sol Nascente.

A expressão filhos malcriados é uma definição "cubana, pois, há que dar a estes seres viventes todos os gostos se queremos que cresçam e se desenvolvam, desde a alimentação até a educação adequadas", disseram vários cultivadores interpelados por Granma Internacional durante a convenção.

Raciel Méndez Gómez, com 16 anos de experiência nesta arte, descreve que, até onde se sabe, os primeiros indícios apareceram em casa de um casal que vivia no povoado La Fé, na Ilha da Juventude. Diz que na década de 1970, seu amigo Enrique Cuenda observou as plantas, desaparecidas tempo depois da morte do casal. "Não se sabe o rumo que tiveram", assevera.

Outro testemunho narrado pelo próprio Raciel, dá conta de que em Santiago de Las Vegas, província de Havana, apareceu abundante literatura numa casa desabitada. Os livros foram parar com diversas pessoas, alguma das quais teriam iniciado o cultivo.

Cheia de mistérios e conjecturas, como a própria vida, é a história do Bonsai. Tanto assim que se sabe da existência de mais de 300 cultivadores em toda Cuba, cifra que cresce, com a incorporação de muitas outras que, até agora, permaneceram no anonimato.

Para o avilenho Dimitri Gómez González, presidente do Comitê Organizador da Convenção, que deu vida ao projeto nos últimos anos, o cultivo desta arte vivente poderia ser outra via de integração entre os povos no ano da Alternativa Bolivariana para as Américas. E informa: "A presidência da Federação Latino-americana do Bonsai está na Venezuela".

Alejandro Moya Valdés, um principiante, conseguiu seu primeiro exemplar depois de mais de quatro horas a cinzel e martelo. Talvez seja essa a razão pela qual pensa que, para ele, o fundamental na hora de cultivar e educar as plantas é a disciplina.

Os participantes do encontro me deram as melhores definições numa palavra. Cada qual resumiu o sentir: Espírito, disse Lorenzo González Casuso; Adição, Leonel Monzón García; Harmonia, Asley Hernández Sánchez; Paz, Jovany Borrego Mejías; Sentimento, Raciel Méndez Gómez; Tranqüilidade, Nancy Gutiérrez Gárciga; Espiritualidade, Jorge Guerra Pensado; Paixão, Leonardo Rodríguez Triana.

Sem pensar em monges, impérios, civilizações nômades e dinastias, os cultivadores cubanos têm sua própria história, a mesma que como o decurso do tempo, contarão outros para que não morra esta arte milenar.

fonte: http://www.granma.cu/portugues/2005/noviembre/vier18/48bonsai-p.html

13.9.08

Bióloga revela potencial bioativo e quimioproteção natural da manga.



Houve época em que na periferia os moleques pulavam muros de quintais para roubar mangas. Hoje adultos, lembram do sabor especial do fruto daquelas inocentes contravenções e muitos se surpreenderiam com a informação de que a manga freqüenta as bancadas dos laboratórios nas universidades. A professora Gláucia Maria Pastore, do Departamento de Ciência de Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, justifica a atenção que pesquisadores dão à manga: "Trata-se de uma fruta popular, com grande aceitação no Brasil e em outros países e cujo consumo tem-se expandido para novos mercados, como a Europa. Além de saborosa e aromática, possui elevado valor nutritivo quando comparada com outras frutas. Também tem alto valor comercial, especialmente nas regiões tropicais. Em nosso caso, moveu-nos principalmente o interesse em conhecer as propriedades associadas ao fruto produzido no Brasil e abrir caminho para seu melhor aproveitamento".

Principal variedade brasileira tem atenção especial

A professora explica ainda que as frutas, cada vez mais, se revelam constituídas de substâncias bioativas - que trazem algum benefício para o organismo, geralmente devido à presença de antioxidantes, reconhecidos como capazes de retardar o envelhecimento e o aparecimento de doenças e até de evitá-las. "Esse fato levou ao conceito de alimentos funcionais, que estão na ordem do dia, e mais recentemente à idéia de quimioproteção, conseguida através de substâncias bioativas presentes em produtos in natura ou processados", observa. Normalmente estuda-se uma forma de preservar o quimioprotetor presente em um produto vegetal durante seu processamento, ou a forma de extração para adicioná-lo em outros produtos industrializados. "É o que acontece, por exemplo, no processamento do suco de manga para preservar determinados componentes bioativos", acrescenta.

O interesse dos consumidores levou a bióloga Andréia Cristiane Souza Azevedo a pesquisar os componentes da manga que podem apresentar caráter bioativo, o que deu origem a tese de doutorado orientada pela professora Gláucia Pastore. Andréia Azevedo estudou as enzimas oxidativas e a presença de compostos bioativos em mangas produzidas no Brasil, com base nas variedades Tommy Atkins, Haden e Palmer, mas concentrando-se na primeira, em três diferentes estádios de maturação. A determinação dos teores das principais enzimas oxidativas foi utilizada como parâmetro para estabelecimento dos estádios de maturação: o verde, o de vez, e o maduro.

Andréia Azevedo afirma que os resultados mostraram a influência da maturação na composição química da fruta, com reduções nos teores de água, minerais, gorduras, fibras e vitamina C, e aumento dos teores de açúcares. "Os estudos mais detalhados foram sobre os compostos fenólicos na Tommy Atkins, a variedade mais produzida. Ela desperta maior interesse agronômico por ser mais resistente a doenças e ao transporte, e oferecer maior produtividade. Foram avaliados treze padrões de polifenóis, encontrando-se sete deles na polpa da fruta", explica. Segundo a pesquisadora, os polifenóis por ela determinados e estudados são conhecidos pelo papel protetor. "Sua ação está sempre ligada à capacidade de atacar radicais livres, que se formam em grande quantidade no organismo humano face ao sistema de vida moderno. Os radicais livres acarretam várias doenças crônico-degenerativas, que são aquelas que se manifestam no decorrer do tempo e não de forma aguda, a exemplo do câncer", complementa.

Gláucia Pastore ressalta a importância da descoberta, pela ciência, desses efeitos benéficos trazidos por componentes presentes em frutas e verduras. "A capacidade de retirar radicais livres, responsáveis pela oxidação, é o ponto chave: sem oxidação não ocorre degeneração, mesmo quando a pessoa é predisposta geneticamente. Nesses casos, a dieta minimiza a tendência natural", observa. A professora vê na manga um conjunto de propriedades importantes, como as oferecidas pelo caroteno, responsável pelo pigmento amarelo, por vários carotenóides, que são antioxidantes, e pelo alto teor de vitamina C e de fibras boas. "Ainda falta conhecimento em relação às frutas brasileiras. Esse tipo de pesquisa contribui com a determinação das substâncias bioativas na manga e mostrando como elas se relacionam com a maturação e com as enzimas que degradam", pondera.

Em seu estudo, Andréia Azevedo determinou as porcentagens dos vários componentes nos principais estádios de maturação, a atividade antioxidante e a presença de uma importante substância antioxidante como a mangiferina, principalmente na casca do fruto. A pesquisadora não encontrou estudos sobre mangas do Brasil que envolvessem a ação bioquímica e o poder antioxidante. Em sua opinião, tais pesquisas permitirão o aperfeiçoamento genético para obter espécies com maiores teores de substâncias de interesse da saúde pública, além de municiar as empresas nacionais com informações que lhes permitam melhor explorar as frutas brasileiras industrialmente, visando ao mercado interno e externo.

Texto: Carmo Gallo Netto
Fonte: Jornal da Unicamp

Índios prometem revelar remédios desconhecidos


Representantes indígenas fizeram uma lista de 30 medicamentos e cosméticos tirados da floresta amazônica e usados por eles há séculos para apresentar num seminário no qual pretendem compartilhar os benefícios em busca de futuros investimentos farmacológicos. A Convenção da Diversidade Biológica, a ser realizada em Curitiba, em março, deve receber do Amazonas um grupo de oito indígenas de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira com a Colômbia.

A lista inclui o keeripa (sem tradução para o português), um fungo que brota da caatinga à beira dos igarapés que nascem do Rio Negro e, segundo a sabedoria tradicional, pode curar a tuberculose em cinco dias. "É feito um chá e dado à pessoa por menos de uma semana e ela fica curada para sempre", diz o líder do grupo que vai a Curitiba, André Fernando, da etnia baniua, presidente da Organização Indígena da Bacia do Içana (Oibi).

Patentes

Para ele, as propostas dos índios, que devem ser encaminhadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia, não podem vir desacompanhadas de um cuidado paralelo com as patentes com registro em nome dos povos. "Talvez uma organização maior para a democratização desses remédios da floresta venha do medo da perda da identidade, de um uso indevido e de que nada seja dado em troca aos que o descobriram", destaca.

"Ainda temos centenas de plantas que a medicina científica não conhece, usadas por nossos pajés, que teriam prazer e paciência para ensinar, mas com o cuidado de esse saber ser disseminado com o controle de índios também, não só do governo."

Antídoto contra veneno

Uma mistura de diversas plantas, como a capuleruda, usada tradicionalmente pelos índios, promete ser eficaz contra o veneno potente da jararaca. "As tribos que conhecem esse preparado não têm pessoas mutiladas, sem braços ou pernas por causa do veneno da cobra", disse.

André Fernando diz que seu pai é um exemplo do poder do preparado contra o veneno da jararaca, que deve ser aplicado em compressas em cima do ferimento por dois dias.

Cosmética

Segundo ele, outra vertente desse saber tradicional da floresta são os óleos e seivas usadas para a cosmética. "A vaidade, principalmente nas festas, é tradicional entre todas as etnias. A variedade de plantas na floresta não deixa nada a dever às prateleiras das lojas dos brancos", defende.

Para a convenção em Curitiba, serão levados óleos essenciais, como a padzoma, para perfumes que índios da etnia baniua usa na cintura em festas. Também uma planta muito usada em xampus e sabonetes, a kawiri, será levada. "O xampu feito com essa planta fortifica o cabelo e o sabonete tonifica a pele", garante. "Mitologicamente, em várias etnias, os bebês nascem e são banhados com a padzoma, que significa "planta do berço de origem"."

fonte: http://www.douradosnews.com.br/saude/view.php?ma_id=163760

Apicultores recebem incentivos para aumentar produção do mel



Cento e dezesseis agricultores familiares, das Regiões do Curimataú, Brejo e Agreste do Estado da Paraíba, recebem incentivos do Sebrae, Projeto Cooperar, Banco do Brasil e a Universidade Federal da Paraíba (UFCG), para incrementar a cadeia produtiva da apicultura e meliponicultura. O resultado do trabalho realizado com apoio do Governo estadual, apresentou um aumento na produção do mel em 2005, de 20%, em relação á produção anterior.

Os apicultores, que participam do Projeto APIS no Curimataú/Seridó, coordenado pelo gerente regional do Sebrae (agência de Araruna), Edílson Batista de Azevedo, estimam um crescimento na produção do mel, até o final deste ano, em 30%. Em 2004 eles conseguiram uma prudução de oito toneladas, subindo ano passado, para 10 toneladas.

Organizados em pequenas associações, os 116 apicultores, estão – agora – empenhados na instalação de um entreposto, na cidade de Bananeiras. A unidade, que será construída em uma área de 250 metros quadrados, já conta com a garantia dos recursos financiados pelo Banco do Brasil, a fundo perdido, no valor de R$ 80 mil. As obras serão iniciadas ainda este mês, conforme Edílson Batista. Quando pronto, o entreposto receberá toda a produção do mel das regiões monitoradas pelo projeto. A unidade será gerenciada por um condomínio de apicultores, cujo processo encontra-se em andamento.

Outro projeto que merece referência é o desenvolvido pela Emepa - Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária – de Lagoa Seca, na região do Brejo, que beneficia comunidades carentes e está expandindo a atividade por diversos municípios da região, gerando emprego e renda para muitas famílias.

O projeto dispõe da instalação de apiários nas propriedades de produtores beneficiados, que recebem informações sobre as técnicas fundamentais para a criação. Os pesquisadores garantem que a apicultura é uma atividade lucrativa que não requer muitos custos para a manutenção. Graças ao incentivo da Emepa, a arte de criar abelhas vem registrando crescimento na Paraíba nos últimos anos. Num levantamento realizado pela empresa há mais de dois anos, foi detectada a existência de 30 associações de criadores no Estado. Atualmente, estima-se que mais de 190 já estejam organizadas.
Assistência aos apicultores é contínua
A assistência técnica aos apicultores, segundo Edílson, é contínua, sendo realizada pelos agentes de Desenvolvimento Rurais, treinados e capacitados para o trabalho. “Essa assistência tem contribuído para influenciar o crescimento da produção das coméias, que subiu em 2005 em 10%, em comparação ao ano anterior”, afirma Edílson, lembrando que os apicultores também participam de palestras, seminários e outras atividades ligadas à apicultura.

Se não houver imprevisto no projeto, conforme Edílson, espera-se um crescimento na produtividade média por coméia, até dezembro de 2007, em 25%, sendo 10% até o final deste ano. Outros resultados esperados até dezembro deste ano são o aumento da renda média mensal dos apicultores/meliponicultores em um salário mínimo e o crescimento do número de coméias das 1.400 para 1.700 até dezembro de 2006, além do aumento, em 30%, do número de pessoas ocupadas na atividade.

Entre os municípios que participam do projeto APIS no Curimataú/Seridó, destacam-se: Nova Floresta, Cuité, Picuí, Bananeiras, Araruna, Campo de Santana, Dona Inês, Solânea, Araruna, Remígio e Esperança.
Produto é rentável e preserva a natureza
De acordo com os apicultores, a criação de abelhas não é só um negócio rentável, mas um bom artifício na preservação do meio ambiente, contribuindo inclusive, na proliferação do pomar. Os biólogos garantem que os apiários instalados próximos às plantas que produzem flores, favorecerão uma produção do mel bem maior e de melhor qualidade por conta da quantidade de pólen sugado pelas abelhas.

Dependendo da região, uma colméia pode chegar a produzir mel até quatro vezes por ano. A Uruçu pode ter o mel produzido para fins medicinais e, se bem tratados e instalados, os enxames podem fabricar até mesmo 10 litros de mel/ano cada colméia, devendo-se levar em conta que um apiário pode ser formado pela quantidade de colméias que o produtor puder manter.

Em ambientes com variedade e quantidade excessiva de pólens as abelhas reduzirão as despesas dos produtores, porque terão os alimentos fornecidos pela própria natureza, embora o pólen também possa ser comprado em casas especializadas.

O mel produzido no Nordeste, incluindo a Paraíba, é considerado um dos melhores do mundo, tendo boa aceitação nos países europeus, segundo os pesquisadores. Dentro do país, o mel paraibano é o mais consumido no Sul e Sudeste. Infelizmente, o hábito de comer melado pelos paraibanos ainda é pouco, um costume que deveria ser seguido por causa dos nutrientes que o mel possui e que poderia servir como alimentação suporte para todas as pessoas. Uma das indicações seria inserir o produto no cardápio da merenda escolar

fonte: http://jornaldaparaiba.globo.com/cida-03-080106.html

Ameaça das lavouras é a “semente suicida”




Redação/O Estado do Paraná [10/01/2006]


As multinacionais de sementes transgênicas preparam a nova etapa da estratégia para a dominação da produção de grãos no país. É a introdução no Brasil da chamada “semente suicida”. A nova articulação em curso está embutida no projeto de Lei 5964/05 de autoria da deputada Kátia Abreu, da bancada ruralista do Tocantins, em tramitação na Câmara Federal, propondo autorizar a liberação da utilização da chamada “Tecnologia de Restrição de Uso Genético (TRUG)”, designação técnica para a “semente suicida”.

O agrônomo Marcelo Silva, especialista em transgênicos, explicou que a “semente suicida”, também conhecida como “terminator seed” é uma técnica de transgenia que permite a produção de sementes que geram plantas normais na aparência, que dão flores normais até o momento em que o grão se forma. “Nesta etapa, a planta mata o germe do grão. O agricultor colhe então um grão estéril”, disse.

O plano de dominação do mercado de grãos das multinacionais de sementes passa pela contaminação da produção de grãos do planeta, por plantas transgênicas e, em seguida, o controle global da comercialização de sementes através das chamadas “sementes suicidas”.

Com todas as áreas de produção agrícola contaminadas por plantas geneticamente modificadas, os agricultores somente poderão adquirir sementes transgênicas estéreis. E ficariam definitivamente na dependência destas multinacionais, já que as sementes crioulas deixariam de existir. Este é o alerta do economista Jean Marc Von Der Weid, integrante da Campanha Brasil Livre de Transgênicos.

Este tem sido o cenário que o governador Roberto Requião vem transmitindo aos agricultores paranaenses. Ele denuncia que o domínio da produção de sementes é a meta das empresas multinacionais, buscando o monopólio total dos alimentos agrícolas no planeta. E destaca: “o agricultor que tem apenas a terra, terá que pagar para nela plantar. Porque a cada safra terá que comprar novo lote de sementes, já que os grãos colhidos não germinarão. Este é o quadro diabólico que está sendo combatido por todos aqueles que tem a obrigação e o dever de preservar a soberania de nosso país, que passa obrigatoriamente pela defesa da independência de nossa agricultura, porque sem a produção suficiente de alimentos não há povo que consiga sobreviver”.

Dominação

Desenvolvida pela primeira vez pela empresa norte-americana Delta & Pine Land, a tecnologia Terminator - ou Tecnologia de Restrição de Uso Genético (TRUG), como preferem seus defensores - é um conjunto de técnicas que possibilita a criação de plantas transgênicas para produzir sementes que alcançam a maturidade uma única vez e depois não germinam mais se novamente plantadas. Isso é possível graças a um gen que é inserido artificialmente na estrutura da planta e depois ativado e desativado através da utilização de um indutor químico.

Já batizada pelos agricultores como “semente suicida”, a Terminator, na visão dos ambientalistas, significa um enorme passo para que as empresas de biotecnologia adquiram de vez o controle sobre o mercado mundial e anulem o direito dos trabalhadores de guardar as sementes que possuem para utilizar na safra seguinte.

“Essa tecnologia visa apenas a maximização dos lucros das empresas e criará entre os agricultores uma dependência total em relação ao mercado de sementes. Isso sem falar nos riscos trazidos à biodiversidade. A Terminator, na verdade, é uma semente genocida e não suicida”, afirma a pesquisadora mexicana Silvia Ribeiro, dirigente da ONG internacional Grupo ETC (Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração).(AEN)

fonte: http://www.parana-online.com.br/noticias/index.php?op=ver&id=183389&caderno=6

Agricultures podem receber apoio


O Ministério do Desenvolvimento Agrário está apoiando projetos de agricultura familiar para produção de plantas medicinais. A idéia é ampliar o uso de remédios feitos a partir de plantas nos hospitais públicos do país, além de garantir o sustento de agricultores familiares, a preservação do meio ambiente e o acesso da população a esses medicamentos. A consultora Divani de Souza, da Secretaria de Agricultura Familiar, explica como os agricultores familiares interessados no projeto podem procurar o Ministério do Desenvolvimento Agrário: "A proposta do MDA com plantas medicinais e fitoterápicos é para todo o Brasil. Os interessados podem procurar em seus estados as delegacias regionais do MDA ou entrar em contato com a Secretaria de Agricultura Familiar em Brasília pelo telefone (61) 2191 9860".

EXPERIÊNCIA EM GOIÁS
Como estímulo à produção de plantas medicinais, o Ministério do Desenvolvimento Agrário firmou convênio, no valor de R$ 170 mil, com o Centro de Tecnologia Agroecológica de Pequenos Agricultores (Agrotec), organização não-governamental sediada na cidade de Diorama, em Goiás, que já produz plantas medicinais e remédios. Com dez anos de experiência, a Agrotec trabalha no manejo sustentável de espécies da flora nativa, fauna silvestre e uso de energia renovável solar, eólica, e na produção de fitoterápicos com tecnologias desenvolvidas e adaptadas à propriedade rural familiar implantada no cerrado. De acordo com o presidente da Agrotec, Wanderley Castro, o projeto vai garantir medicamentos para a população de 19 cidades de Goiás, que serão comprados pelas prefeituras. "Vamos atender 19 municípios com população de 200 mil habitantes. Vamos produzir 36 fórmulas de medicamentos fitoterápicos para combater 22 doenças", informa.
Fonte: Assessoria de Imprensa do MDA
Leia mais em: http://www.mda.gov.br

Agricultura apóia projeto de produção de fitoterápicos


BRASÍLIA - A Secretaria da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA) está apoiando financeiramente o projeto-piloto da Agroindústria de Fitoterápicos da Agricultura Familiar, do Centro de Tecnologia Agroecológica de Pequenos Agricultores (Agrotec), em município de Diorama, oeste de Goiás.

Por meio de convênio, assinado no final de dezembro de 2005, o MDA vai repassar R$ 170 mil à Agrotec. O projeto-piloto, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tem o propósito de abastecer com medicamentos fitoterápicos o Sistema Único de Saúde (SUS) de 19 municípios do Oeste goiano.

Cerca de 200 mil habitantes serão beneficiados com 36 fórmulas desenvolvidas conforme a epidemiologia de 22 doenças de atenção básica e estratégica de saúde. Inicialmente, o projeto irá atender cerca de 43 mil pessoas, de quatro municípios.

A Agrotec é uma organização não-governamental com dez anos de experiência no manejo sustentável de espécies da flora nativa, fauna silvestre e uso de energia renovável solar, eólica, produção de fitoterápicos com tecnologias desenvolvidas e adaptadas à propriedade rural familiar no Cerrado.

O Centro de Estudos possui laboratório de produtos fitoterápicos, aparelhado para produzir 36 fórmulas de medicamentos a partir das plantas ali mesmo cultivadas e processadas pelos associados, de acordo com os padrões legais e científicos, mediante supervisão e acompanhamento de técnicos especializados, direcionadas ao atendimento da demanda de atenção básica de saúde pública regional.

Segundo a consultora da SAF/MDA na área de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, Divani de Souza, a experiência de produção de fitoterápicos da Agrotec representa a “comprovação de que a agricultura familiar tem capacidade, competência e força para atender à sociedade brasileira na difícil tarefa de produzir medicamentos eficazes, com segurança e qualidade, além do baixo custo tão necessário à população”.

fonte: http://www.otempo.com.br/emtempo/economia/lerMateria/?idMateria=24585

Angola tem oito mil espécies de plantas



Angola possui aproximadamente oito mil espécies de plantas, segundo um relatório do Ministério do Ambiente, apresentado ontem, no seminário de capacitação de gestores ambientais.

O documento indica que existem também 275 espécies de grandes mamíferos, 26 de antílopes, 15 de morcegos frutívoros, 915 de avifauna e 63 espécies migrantes paleolítica e 16 consideradas endémicas.

No país, 158 espécies são consideradas aves errantes, 149 de anfíbios (das quais 19 são consideradas endémicas), 276 de répteis e 335 espécies de insectos.

No que tange às áreas protegidas, estão criadas 13, equivalentes a 6,6 por cento da superfície total do país, subdivididas em seis parques nacionais (Quissama, Kangandala, Bikuar, Iona, Kameia e Mupa), bem como quatro reservas parciais (Moçamedes, Mavinga, Luiana e Búfalo).

De igual modo, existem duas reservas naturais integrais (Luando e Ilhéu Pássaros) e um parque natural regional (Chimalavera). A situação melhorou com a criação de quatro coutadas de caça (Ambriz, Mucusso, Lwengue e Longa-Mavinga), no intuito de se regularizar as caçadas anárquicas.

Está estampado no documento, o elevado estado de degradação dos parques e reservas naturais, fruto da paralisação da administração dos mesmos no período de conflito armado e também da sua ocupação por populações em busca de melhores condições de subsistência.

Tais áreas sofrem com a prática da agricultura, caça e pesca, com a construção de residências, abate de árvores para obtenção de lenha e carvão, e com as queimadas descontroladas.

fonte: http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=43967&Seccao=geral

As plantas supervitaminadas




Universidade Federal de Uberlândia desenvolve alface e outros alimentos com mais vitaminas
Quarta-feira é o dia em que alunos e professores do Instituto de Genética e Bioquímica da Universidade Federal de Uberlândia - UFU -, no Triângulo Mineiro, distribuem gratuitamente para a população os “frutos” de suas pesquisas: sementes de uma alface supervitaminada e outras plantas ricas em vitaminas, mas pouco familiares aos mineiros, como a moringa, o yacón e o camucamu, que estão sendo estudadas com o apoio financeiro da FAPEMIG. “A nossa preocupação é a avitaminose - deficiência em vitamina - e as formas de combatê-la através da alimentação”, explica Cristina Soares de Souza, aluna de Mestrado em Agronomia.
Cristina trabalha no projeto da alface “Uberlândia 10 mil”, uma cultivar desenvolvida pelo Prof. Warwick Estevam Kerr (ver quadro), por meio do melhoramento genético clássico. Considerando que a alface é uma das dez hortaliças mais consumidas no Brasil e é a preferida pelas crianças, o Professor cruzou as cultivares “Moreninha de Uberlândia” e a “Vitória de Santo Antão” e conseguiu pela primeira vez na história da Agronomia, após oito anos de trabalho, uma espécie de alface com 10.200 unidades de vitamina A. Segundo os pesquisadores, uma alface comum possui entre 500 e 1.500 unidades de vitamina A. A “Moreninha de Uberlândia” tem uma quantidade maior - 4.500 unidades -, mas, até então, não se tinha notícia de uma cultivar de alface com mais de 10.000 unidades de vitamina A, o que justifica o sucesso e o nome da alface do Prof. Kerr: a “Uberlândia 10 mil”.

A caracterização genética da alface, também chamada de “impressão digital”, a seleção dos genes responsáveis pela produção da vitamina A e a definição do grau de resistência da “Uberlândia 10 mil” à septoriose - doença que causa considerável perda na produção da alface - são tarefas que estão sendo desenvolvidas por Cristina, sob a orientação do Prof. Kerr, que atualmente também preside o INPA - Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia -, em Manaus, e, por isso, orienta Cristina e outros dez alunos de Mestrado e Doutorado na UFU à distância. “Ele vem à Uberlândia uma vez por mês e fica em média quatro dias. Nos outros dias nós nos comunicamos por telefone ou pela Internet.” Cristina é co-orientada pelo Prof. Armando Takatsu, que faz parte do corpo docente da Universidade de Uberlândia.
Mais vitaminas naturais
Na busca por enriquecer a alimentação dos brasileiros, o Prof. Kerr orienta trabalhos de adaptação de plantas da região amazônica para o cerrado mineiro. Quando mostra o yacón, da família do girassol e original do Equador, o professor não esconde o prazer de ter introduzido em Uberlândia uma raiz com aparência de batata-doce, gosto de fruta e que, apesar de bem docinha, não contém açúcar e sim inulina (substância
orgânica de composição semelhante à do amido), o que é ideal para a alimentação dos diabéticos. O camucamu, que nasce nas margens do rio Amazonas e tem uma frutinha parecida com a jabuticaba, é um verdadeiro tesouro vitamínico. Segundo o Prof. Kerr, “é a planta que tem mais vitamina C entre todas descobertas até hoje, inclusive a acerola”. A polpa da fruta apresenta 3.200 mg de vitamina C por 100g , enquanto a acerola tem de 1.200 a 1.300 mg por 100g.

Já a folha da moringa, um arbusto que chega a cinco metros de altura, além de anticancerígena, contém uma dose elevada de vitamina A - 22 mil unidades em 100 g. Ele conta que ficou impressionado com o resultado obtido junto aos alunos de uma escola no interior de Minas Gerais a partir da introdução da folha da moringa na merenda escolar. Em apenas dois meses, o próprio professor teve a oportunidade de verificar uma visível mudança na aparência física do grupo de crianças, especialmente na pele e nos cabelos, acompanhado de significativo aumento na capacidade de aprendizado atestado pelas professoras. Com o apoio da FAPEMIG, CNPq e da própria UFU, o Prof. Kerr desenvolveu a adaptação da planta em solo mineiro e promoveu a distribuição de 500 mil sementes da planta para a população do Triângulo Mineiro.
O Instituto de Genética e Bioquímica da UFU
A integração é marca registrada no IGB da UFU, especialmente entre o Prof. Kerr e os “desorientados”, como ele chama carinhosamente os alunos sob a sua orientação. O departamento funciona a pleno vapor. Desenvolve atualmente 12 projetos de pesquisas nas linhas de Biologia Molecular, Estrutura e Função de Proteínas e Genética, Biologia e Melhoramento de Plantas e Animais, envolvendo 83 alunos na pós-graduação - 39 no mestrado, 25 no doutorado e 19 especiais, que cursam disciplinas isoladas e atuam nas pesquisas. O apoio da FAPEMIG é marcante tanto no desenvolvimento das pesquisas como na montagem e equipamento dos laboratórios, de acordo com a coordenadora da Pós-Graduação de Genética e Bioquímica, Prof.ª Ana Maria Bonetti.

Sementes da moringa
Warick Kerr - O Cientista que materializa sonhos
O Prof. Warwick Estevam Kerr é, sem dúvida, um dos maiores cientistas do Brasil e do mundo. Além das dezenas de títulos nacionais e das centenas de publicações em revistas científicas internacionais, foi o primeiro pesquisador a ser admitido como membro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, e único até o ano passado, quando o cientista gaúcho Francisco Salzano também foi integrado. Foi o primeiro presidente da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - e hoje é presidente de honra da instituição.
Aos 78 anos de idade, o pesquisador Kerr conta que sua paixão pelas abelhas começou aos oito anos de idade, quando ganhou do pai uma colméia de abelhas Mandassaia. “Eu ainda nem sabia ler, mas já pensava pra burro”, relembra Warwick Kerr. Entre a curiosidade de criança e o desenvolvimento da pesquisa em genética, o cientista foi o responsável pelo salto do Brasil no ranking mundial da produção de mel. Da 27.ª posição, o país passou a ocupar a 4.ª, perdendo apenas para a Rússia, China e Estados Unidos. Em sua homenagem, existem no Brasil quatro espécies de abelhas kerri (kerri = de Kerr), além da orquídea Cattleya kerri.
“Sou agrônomo. Me preocupo com comida”, diz o Prof. Kerr, que, além do trabalho com as abelhas, está sempre atento à quantidade de vitaminas na alimentação dos brasileiros, especialmente das crianças. Atualmente, como pesquisador da Universidade Federal de Uberlândia, desenvolve novos cultivares como a alface “Uberlândia 10 mil”, e se dedica também à adaptação de plantas com alto teor vitamínico trazidas de outras regiões para o solo mineiro. Trabalho que ele acumula com as funções de presidente do INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, que, ao contrário do que se pode supor, não representa uma sobrecarga. Ele consegue atuar bem nos dois locais e fazer um intercâmbio com o que tem de melhor em cada um.

Mudas de camucamu
Se ele mesmo resolvesse ser o “garoto-propaganda” dos resultados das suas pesquisas, facilmente faria com que adultos e crianças se rendessem aos efeitos das vitaminas nos alimentos. A aparência dele é invejável para qualquer homem da sua idade. A vitalidade e o bom humor extrapolam os limites da sua personalidade e aglutinam pessoas de todas as idades em sua volta, estimulando-as não apenas para o trabalho, mas principalmente para a vida.
Disposição e entusiasmo é o que nunca faltou na vida do professor. Começou “do zero”, como ele diz, por sete vezes. Obstinado, ele já plantou “sementes” em diversas partes do país. Sementes com duplo sentido. Com muita coragem, há mais de 40 anos, ele vem fundando e fixando cursos de graduação e pós-graduação, alguns em locais onde poucas pessoas ousariam fazê-lo. A característica é sempre a mesma: inicia com o objetivo de fazer o melhor. E tem dado certo. Assim foi em Rio Claro, em 1958, quando foi convidado a implantar o curso de Biologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Em 1962, foi a vez de aceitar o segundo desafio começando do zero: a criação da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo -, hoje a maior agência estadual de fomento à pesquisa do país, que em 1999 investiu mais de R$ 540 milhões no financiamento de projetos em todas as áreas da Ciência e da Tecnologia, tem repercussão internacional e é reconhecida como modelo para as fundações similares de todos os estados. “Trabalhei como um doido durante três anos entre São Paulo e Rio Claro, porém com a sensação permanente de que estava sendo útil”, conta o professor.
No final de 1964, mudou-se para Ribeirão Preto com a finalidade de chefiar o novo Departamento de Genética da Faculdade de Medicina. Naquela época, foi preso pela segunda vez por protestar contra a tortura policial - a primeira foi em Rio Claro, em 1961, pelo mesmo motivo. Obstinado pela pesquisa, pela sua difusão e, principalmente, pela sua utilização em benefício de todas as pessoas, além, é claro, da formação de novos quadros de doutores e mestres, o cientista sempre refletiu sobre a sua postura perante o conhecimento. No auge da ditadura muitos pesquisadores pararam de produzir, temerosos de que a produção fosse computada como realização do Estado ditatorial. O Prof. Kerr, longe de compactuar com a ditadura, jamais parou de produzir, porque acreditava e acredita que, independente da situação política do país, não se pode parar de produzir pesquisas, sob pena de aumentar o desemprego, a fome, a miséria e o sofrimento.

Warwick Kerr
Foi em março de 1975 que pela primeira vez foi dirigir o INPA, a convite do então presidente do CNPq, José Dion de Melo Teles, onde permaneceu até 1979. Quando recebeu a missão de transformar o instituto em um grande centro de pesquisas, a instituição contava com o trabalho de apenas dois doutores e dois mestres. Quatro anos depois, deixou o INPA com 60 doutores, 52 mestres e 230 pesquisadores.
Em 1981, se aposentou e resolveu atuar no estado mais pobre do Brasil. Consultou levantamentos do IBGE e partiu para o Maranhão, onde começou do zero pela quinta vez. Como professor visitante da UFMA - Universidade Federal do Maranhão - recebeu a incumbência de organizar um curso de Biologia. As condições não eram das melhores. Ele conta que a sua primeira cadeira na universidade era um toco de eucalipto e a mesa, outro toco. Sete anos depois, o curso já era considerado um dos mais conceituados do país. Ainda no Maranhão, em 1987, a sexta missão que iniciou, segundo o professor, não do zero, mas “das ruínas”. Como reitor da Universidade Estadual do Maranhão, recebeu a instituição com uma dívida milionária, estrutura física completamente depredada, sem equipamentos e um quadro de desânimo total entre os professores, funcionários e alunos. Em pouco tempo conseguiu revitalizar a universidade em todos os aspectos, pagar as dívidas, recuperar os salários e a auto-estima da comunidade, implantar atividades científicas e de extensão, além de um programa de produção de sementes hortícolas para sanar a principal deficiência alimentar do estado: a vitamina A.
Missão cumprida no Maranhão. Agora era a vez da sua mulher, dona Lygia, escolher onde morar. Desde o casamento, em 1946, ela acompanhou e apoiou o professor em todas as conquistas profissionais. Para ela, o clima do Nordeste é muito quente. Com convites de 11 universidades, a escolha foi para a de Uberlândia, para onde se mudaram em 1988. Há menos de um ano, novo convite para dirigir o INPA. É claro, o Professor Kerr aceitou.
Em todos estes anos de missões administrativas, em nenhum momento, o Professor Kerr interrompeu suas pesquisas, sempre atento ao potencial que a natureza oferece, em especial com as plantas e abelhas.
Alguns alunos seguem o caminho há anos trilhado pelo mestre e se dedicam às abelhas, como é o caso do jovem biólogo Alexandre Coletto da Silva, estudante da pós-graduação, que está pesquisando e documentando os sistemas nervoso e reprodutor das abelhas indígenas brasileiras sem ferrão (aparelho ferroador atrofiado sem glândulas de produção de veneno), com o objetivo de desenvolver uma técnica para inseminação instrumental que resultará no melhoramento genético das espécies, no manejo racional e na ampliação dos conhecimentos em neurobiologia e biologia reprodutiva dessas abelhas. Outro que também fez a opção pelas abelhas é o estudante de graduação em Ciências Biológicas, Cláudio Franco Muniz, que desenvolveu um sistema eletrônico-computacional para o registro das atividades diárias de vôo das abelhas, o horário e as condições climáticas em que elas saem da colméia. O objetivo é estudar o comportamento das abelhas em resposta às variações do clima e avaliar a adaptação das colônias ao meio ambiente em que estão inseridas. Estudos como estes podem parecer um detalhe, mas é o conjunto dessas pesquisas que fazem do Brasil um dos maiores produtores de mel do mundo.
Links interessantes:
www.ufu.br
www.inpa.gov.br

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO




As Unidades de Conservação são áreas que têm por objetivo manter os recursos naturais em seu estado original, para benefício das gerações atuais e futuras. Têm importância fundamental na conservação da biodiversidade (diversidade de animais, plantas e ecossistemas). As Unidades de Conservação estão divididas em dois grupos:
1 - Unidades de Conservação de uso indireto: são as de proteção integral onde estão totalmente restringidos a exploração ou o aproveitamento dos recursos naturais e as modificações ambientais excetuando-se as medidas de recuperação de ecossistemas alterados, do equilíbrio natural, da diversidade biológica e dos processos naturais. Em todas são permitidas pesquisas científicas, desde que autorizadas pelo órgão responsável pela sua administração. Entre elas, podemos citar: Parques Nacionais, reservas Biológicas e Estações Ecológicas.
2 - Unidades de Conservação de uso direto: aquelas nas quais a exploração e o aproveitamento econômico direto são permitidos, mas de forma planejada e regulamentada. São de manejo sustentado onde as alterações devem limitar-se a um nível compatível com a sobrevivência permanente de comunidades animais e vegetais. Como exemplo, podemos citar: Áreas de Proteção Ambiental, Florestas Nacionais, Reservas Extrativistas.
Alguns problemas enfrentados pelas Unidades de Conservação são: turismo predatório, conseqüências do crescimento e desenvolvimento da civilização urbano industrial, como poluição em todas as suas formas, efeitos de borda, ocupação de áreas proibidas, introdução de espécies animais e vegetais, extrativismo vegetal e animal.
Fonte: Marco Conceitual das Unidades de Conservação Federais do Brasil, IBAMA.

7.9.08

Vassourinha doce




Nome Científico: Scoparia Dulcis
Outros Nomes: vassourinha, vassourinha-doce, vassourinha-cheirosa, vassourinha-mofina, vassourinha tupiçaba, vassourinha-miúda, vassourinha-de-botão, tapixaba, tupixava, tupiçaba, tapeiçaba.
Descrição:
A origem do nome vem do latim "scopa", vassoura (pelo uso da planta), e dulcis, doce.
Planta nativa na América Tropical, a vassourinha-doce (Scoparia dulcis) hoje com larga distribuição no mundo. No Brasil ocorre na maior parte do território, mas raramente aparece em grandes concentrações, sendo infestante em pastagens e culturas, especialmente perenes como a do café.
É uma planta herbácea anual, reproduzida por semente, de base sublenhosa, ereta com até 80 cm de altura, muito ramificada com ramos ascendentes, numa estrutura que permite seu uso como "vassoura". Folhas curto-pecioladas, opostas ou verticiladas, limbo membranáceo, lanceolado, linear-lanceolado ou oval-lanceolado, com margens denteadas. Inflorescência axilar, com abundantes flores pediceladas de coloração verde com cálice apresentando 4 sépalas e pétalas brancas ou azuladas que são seguidas por cápsulas de frutos de coloração pardo-amarelada.
No passado usavam-se feixes de ramos amarrados para varrer casas no interior.
Propriedades Medicinais
É usada na farmacopéia popular com diversas indicações. A planta tem realmente propriedades emolientes, sendo sucedânea das malvas, e também lhe são atribuídas propriedades béquicas e antifebris.
Na homeopatia preparam-se medicamentos com essa planta contra o catarro dos pulmões, febres e dores de ouvido.
Planta toda, por infusão: Emoliente, peitoral, bronquite, catarros, regulariza a menstruação.
Composição:
A planta encerra um composto denominado amelina, que tem mostrado eficácia no tratamento de certos tipos de diabetes. Uma dose de 15-20mg diários de amelina podem determinar um lento e progressivo abaixamento do nível de glicose no sangue, conforme experimento clínico efetuado em 1945. A amelina é extraída das folhas por infusão.

Fontes:

Recuperação ou reflorestamento de áreas degradadas





Existem duas maneiras de se recuperar áreas desmatadas no passado, sejam áreas de preservação permanente, reservas legais ou outras áreas.
Regeneração espontânea
É a maneira mais fácil e barata. Basta deixar a natureza agir sozinha, ou seja, parar de praticar agricultura ou pecuária nestas áreas para que aconteça a regeneração espontânea e natural da floresta. Isto só será possível se a terra não estiver muito degradada, se existirem dispersores de sementes, e se nas proximidades existirem remanescentes florestais que possam fornecer sementes. Neste caso, em pouco tempo surgirá uma capoeira, que em alguns anos se transformará numa floresta. Nas pastagens o ideal é cercar a área, deixando apenas um pequeno caminho para os animais chegarem até a água.

Apesar de mais barata e fácil, a regeneração espontânea apresenta algumas limitações em relação aos reflorestamentos, cabendo citar a menor diversidade de espécies de árvores, gerada pelo grande número de exemplares de espécies pioneiras competindo entre si por espaço e luz, o que dificulta o desenvolvimento do conjunto florestal.
Reflorestamento com espécies nativas
Pode-se também ajudar a natureza com o plantio de mudas de espécies nativas. Fazer o reflorestamento aumenta um pouco o custo mas o resultado é muito mais rápido. O que a natureza sozinha faz em 40 anos, pode ser feito em 10 anos com o reflorestamento. O ideal é plantar apenas espécies nativas da própria região, fazendo uma mistura de espécies de crescimento rápido (pioneiras) e espécies de crescimento mais lento (secundárias e climácicas). Quanto maior o número de espécies plantadas, melhor, pois aumenta a biodiversidade e proporciona maiores condições para se chegar novamente a restaurar os aspectos e características originais da floresta.

Uma análise comparativa do crescimento das árvores plantadas e da biodiversidade em áreas reflorestadas em relação a áreas em regeneração natural espontânea, indica que através do reflorestamento com espécies nativas pode-se adiantar o período de regeneração de uma floresta em pelo menos 30 anos. Comparando uma área reflorestada com 15 anos, constatou-se que havia maior número de espécies e maior volume de madeira do que numa área em regeneração espontânea com 44 anos de idade, apesar do número de indivíduos na área em regeneração espontânea ser significativamente maior. Isto mostra que o reflorestamento pode contribuir para aumentar a biodiversidade e também o ritmo de crescimento das árvores (SCHÄFFER & PROCHNOW, 2002)


Passo a passo
E aqui o passo a passo do reflorestamento de áreas de preservação permanente, reservas legais e outras áreas degradadas.

Para recuperar áreas através do reflorestamento é importante observar os seguintes passos:

1 - Demarcar a área a ser reflorestada e isolá-la de animais, quando estiver no meio de pastagens;
2 - Escolher espécies adaptadas à região do plantio;
3 - Observar o clima, o solo e usos anteriores da terra, para ver se é necessário aplicar fertilizantes para facilitar o crescimento das mudas plantadas;
4 - Utilizar em torno de 50% de espécies pioneiras, aproveitando suas características de rápido crescimento para fazer sombra para as espécies climácicas; 5 - Privilegiar o uso de árvores frutíferas, com o objetivo atrair a fauna;
6 - Diversificar ao máximo as espécies plantadas, para chegar o mais próximo possível do ambiente natural;
7 - Quando possível, plantar em linha e colocar estacas, para facilitar futuros trabalhos de manutenção das mudas plantadas;
8 - Escolher o espaçamento entre plantas (2 x 2, 3 x 2, 3 x 3 ou 4 x 4), em função dos custos e do prazo em que se espera recuperar a área. Espaçamentos menores dão resultados imediatos, mas o custo de implantação é maior;
9 - Proceder o replantio das mudas mortas;
10 - Realizar limpezas de manutenção (roçadas e coroamento) até o 3o ano após o início do plantio.


O enriquecimento de florestas secundárias
Enriquecer florestas secundárias é aumentar, através do plantio, a quantidade de espécies de árvores e outras plantas em determinada área, contribuindo para o incremento da biodiversidade e para a aceleração na regeneração da floresta.

Enriquecer florestas secundárias não significa necessariamente, trazer retorno econômico para os proprietários das áreas. É certo que os proprietários terão inúmeras vantagens ao fazer o enriquecimento de suas florestas secundárias, mas o lucro ou o retorno econômico, depende muito do grau de degradação ou do estágio de regeneração em que se encontra a floresta, das condições de solo, do clima local e das espécies utilizadas. Em muitos casos não haverá lucro financeiro imediato.

O envolvimento direto e a participação dos proprietários de terras no trabalho de enriquecimento das florestas secundárias é fundamental para que eles adquiram conhecimentos sobre as espécies que podem gerar retorno econômico no futuro, sobre aspectos da legislação ambiental, sobre a importância e o valor das florestas e sobre a forma que estas podem ser integradas às demais atividades econômicas da propriedade, desde que manejadas de forma sustentável.

Antes de iniciar o enriquecimento de uma floresta secundária é importante avaliar a situação e o estágio em que se encontra a floresta, para a escolha do método de enriquecimento a ser adotado. A avaliação prévia também vai indicar se será ou não necessário intervir na floresta através do manejo ou corte seletivo de algumas espécies. O manejo, neste caso, é o trabalho preliminar, que vai preparar a floresta secundária para ser enriquecida.


Como enriquecer
Existem várias formas de enriquecer as florestas secundárias. A escolha da forma adequada a cada situação depende:

a) do grau de degradação e do estágio de regeneração em que se encontra a floresta secundária;
b) dos recursos humanos e financeiros disponíveis;
b) do período desejado para obtenção de retorno econômico;
c) da necessidade de obtenção de subprodutos como lenha e madeira para uso na propriedade;
d) da intenção de uso futuro da área para manejo sustentável ou apenas para recomposição e preservação da biodiversidade.

É importante ressaltar que a escolha do método a ser adotado implica na maior ou menor necessidade de recursos humanos e financeiros e poderá influenciar diretamente o ritmo de crescimento das espécies já existentes e das plantadas. Na maioria dos casos, para fazer o enriquecimento é necessário realizar manejo, através do corte seletivo de determinadas espécies arbóreas que ocorrem com grande freqüência. Também é necessário manejar os cipós, taquaras e capins que geralmente ocorrem em grande quantidade nas formações secundárias.

O corte seletivo de algumas espécies possibilita maior incidência de luz no interior da floresta, diminui a competição entre as plantas, dando condições para as árvores existentes e as plantadas se desenvolvam melhor. No corte seletivo devem sempre ser preservados os melhores exemplares de cada espécie, com o objetivo de garantir maior volume e melhor qualidade das árvores para futuros usos.

Com o corte seletivo de árvores pioneiras podem ser obtidos subprodutos como lenha e madeira. Em capoeirões com idade entre 15 e 35 anos obtém-se em média 60mst de lenha por hectare. Essa quantidade varia de região para região e também depende das espécies existentes na área sob manejo. Os subprodutos florestais, tais como a madeira proveniente de árvores mortas e caídas e a lenha proveniente do corte seletivo de espécies pioneiras, podem ser utilizados para consumo na propriedade. Isto proporciona renda indireta aos proprietários, que não precisam comprar estes produtos.

Puçazeiro




Nome popular: Puçazeiro, Pé de Puçá.
Nome científico: Mouriri pusa.
Família botânica: Melastomataceae.
Vegetação de ocorrência: Em Macaúbas, ocorre no alto das serras em vegetação de cerrado e nos tabuleiros. Há duas variedades de puçá: o puçá de casca amarela e o puçá de casca preta. O puçá,Também, é encontrado em outros estados: Ceará, Piauí, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais.
Características da planta: Árvores que alcançam até 8 metros de altura, os frutos são grudados ao tronco, flores brancas e com quatro pétalas. Os frutos atraem diversos pássaros.
Fruto: de 2 a 3 cm de comprimento por 2 a 4 cm de diâmetro; peso do fruto 18 a 30 g, frutos por planta 600 a 2.000; cor do fruto maduro, preta; cor da polpa, alaranjada; sementes por fruto 1 a 3. Semente redonda.
Aproveitamento alimentar: os frutos são consumidos in natura.
Outros usos: planta melífera, ornamental.
Há duas variedade de puçá em Macaúbas: o puçá preto, o fruto quando maduro tem a casa roxa, quase preta; puçá amarelo com a casca, quando maduro, de coloração amarelada. Na safra, do final do mês de outubro a dezembro, o puçá é comercializado na feira livre de Macaúbas.

Fotossíntese




As plantas são seres autótrofos. Graças à presença de clorofila em suas folhas, elas são capazes de captar energia luminosa do sol e utilizá-la na síntese de moléculas orgânicas, que lhes servirão de alimento. Esse processo, que será explicado a seguir, é chamado de fotossíntese.
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6 CO2 + 12 H2O ----luz---+--clorof----> C6H12O6 + 6 H2O + 6 O2
______________________________________________________________________
Os Cloroplastos
Nos cloroplastos ocorre a reação da mais fundamental importância para a vida das plantas e, indiretamente, para a vida dos animais: a fotossíntese. Os cloroplastos são geralmente discoidais. Sua cor é verde devido a presença de clorofila. No seu interior existe um conjunto bem organizado de membranas, as quais formam pilhas unidas entre si, que são chamadas de grana. Cada elemento da pilha, que tem o formato de uma moeda, é chamado de tilacóide. Todo esse conjunto de membranas encontra-se mergulhado em um fluído gelatinoso que preenche o cloroplasto, chamado de estroma, onde há enzimas, DNA, pequenos ribossomos e amido. As moléculas de clorofila se localizam nos tilacóides, reunidas em grupos, formando estruturas chamadas de “complexos de antena”.
Fase clara
A fotossíntese é dividida em duas fases: clara e escura. A fase clara, também chamada de fotoquímica, consiste na incidência da luz solar sob a clorofila A. Elétrons são liberados e recebidos pela plastoquinona (aceptor primário de elétrons). Estes elétrons passam por uma cadeia transportadora liberando energia utilizada na produção de ATP. Os elétrons com menos energia entram na molécula de clorofila A repondo os liberados pela ação da luz. A molécula de clorofila absorve energia luminosa. Este energia é acumulada em elétrons que, por este fato, escapam da molécula sendo recolhidos por substâncias transportadoras de elétrons. A partir daí, estes irão realizar a fotofosforilação, que, dependendo da substância transportadora, poderá ser cíclica ou acíclica. Em todos os dois processos, os elétrons cedem energia, que é utilizada para a síntese de ATP através de fosforilação (processo em que adiciona um fosfato rico em energia no ADP).
Fotofosforilação acíclica
Esta relacionada basicamente com a fotólise da água Fotofosforilação cíclica: O elétron sai da clorofila A, é captado pela ferrodoxina e passa por transportadores de eletrons, havendo nos cloroplastos. liberação de energia, que será utilizada na síntese de ATP. É importante citar que estes processos acontecem simultaneamente nos cloropastos.
Fase escura
Ocorre no estroma dos cloroplastos e é nesta fase que se forma a glicose, pela reação inicial entre o gás carbônico atmosférico e um composto de 5 carbonos, a ribulose difosfato (RDP), que funciona como “suporte” para a incorporação do CO2.
Ciclo de Calvin
A molécula de CO2 se liga ao “suporte” de RDP desencadeiando um ciclo de reações no qual se formam vários compostos de carbono. Para formação de uma molécula de glicose é necessário que ocorram 6 ciclos destes. Os átomos de Hidrogênio da água são adicionados a compostos de carbonos, obtidos a partir de CO2, havendo uma redução de gás, com produção de glicose.
Plantas C 4
O mecanismo de fixação do CO2 não representa o único, descoberto por Calvin, utilizado pelas plantas verdes para fixar este elemento. Em 1960, foram encontradas evidências de que o primeiro produto fotossintético da cana de açúcar não era o PGA de 3 carbonos, mas um composto de 4 carbonos. Este aspecto se distingue das plantas C 3 nas quais o produto intermediário da fotossíntese é um composto de 3 carbonos, o PGA.
Plantas Canr
Um terceiro modo de fixação, a fotossíntese com metabolismo ácido, evoluiu independentemente em muitas plantas como os cactos. Utiliza-se também moléculas de 4 carbonos. Nestas plantas, os ácidos málicos e isocítrico acumulam-se nas plantas durante a noite e são novamente convertidos em gás carbônico na presença de luz. Este processo é claramente favorável em codições de alta luminosidade e escassês de água. Estas plantas dependem muito deste processo, pelo fato de seus estômatos estarem fechados durante o dia a fim de retardar a perda de água. As células estomáticas são as únicas células epidérmicas que fazem fotossíntese e produzem glicose.
Fatores que afetam a fotossíntese
A fotossíntese é afetada por vários fatores, tais como a intensidade luminosa, a temperatura e a concentração de gás carbônico no ar. Por exemplo: em uma planta mantida em um ambiente com temperatura e concentração de CO2 constantes, a quantidade de fotossíntese realizada passa a depender exclusivamente da luminosidade
fonte:

Áreas de Plantio





Seleciona-se inicialmente a área geográfica de trabalho, ou seja, em que região pretende-se procurar áreas para plantio.
As escalas de trabalho neste momento são de fundamental importância para determinar as estratégias para prospectar áreas. Dentre as diversas escalas, estas poderão ser de caráter regional tal como a região metropolitana de São Paulo ou um município, uma bacia tal como a Bacia do Rio Tietê, uma sub-bacia como a do Rio Piracicaba (que integra a Bacia do Rio Tietê), uma micro-bacia que pode ser um pequeno rio ou córrego que faz parte da bacia do Piracicaba e por aí vai.
Poderá ainda, trabalhar-se com uma área pré-determinada no âmbito da parceria entre o Programa e o patrocinador. Dentre os diversos parceiros que podem participar do programa destacam-se a iniciativa privada por meio de patrocínios e apoio, prefeituras, secretarias estaduais e municipais de meio ambiente, educação, agricultura e planejamento, comitês de bacias hidrográficas, empresas públicas e privadas de abastecimento e saneamento, Ministério Público, associação de produtores rurais, Rotarys, viveiros, ONG’s, etc;
O uso de diagnósticos já existentes produzidos por entidades públicas ou privadas ou a produção de novos auxiliam na identificação de áreas prioritárias para ações de reflorestamento.
Como as áreas de intervenção serão, prioritariamente, aquelas protegidas por lei como APP’s (Áreas de Preservação Permanente) reconhecidas pelo Código Florestal - Lei nº 4.771/65, estas demandam autorização do Estado para qualquer tipo de intervenção, processo este conhecido como licenciamento.
O processo de licenciamento é composto de histórico, características físicas e biológicas da área/região, descrição das ações que serão executadas, listas de espécies, documentos das propriedades, mapas, fotos e croquis.
Sendo expedida a autorização dos órgãos licenciadores poderá iniciar-se o plantio observando as especificações do projeto de reflorestamento, este processo envolverá: contratação de equipes, locação de máquinas e equipamentos, aquisição de insumos, isolamento, limpeza, preparo de solo, plantio e manutenção.
Os projetos de reflorestamento que acompanharam os processos de licenciamentos poderão ser produzidos por empresas de consultoria ou em parceria com órgãos públicos, viveiros, faculdades e universidades.
A execução dos projetos de reflorestamento que consiste no plantio efetivo das mudas e acompanhamento por 5 anos, será feito por empresas privadas ou mistas, podendo contar com o apoio das prefeituras e viveiros nas ações locais.
Na eleição de áreas para o reflorestamento, alguns aspectos deverão ser considerados para facilitar os processos de licenciamento e execução dos plantios tais como:
- dominialidade;
- passivos ambientais e situação dos mesmos;
- plantas de localização e do imóvel;
- fotografias aéreas ou imagens de satélite da área;
- laudos de fauna e flora;
- obtenção de anuência dos proprietários para intervenção;
Uma perfeita caracterização das áreas e levantamento de dados para elaboração de projeto executivo de reflorestamento que deverá identificar e apontar as seguintes necessidades:
- isolamento/cercar a área;
- estabilização e/ou drenagem de terrenos;
- limpeza da área com roçada mecanizada e/ou manual;
- combate a formigas e cupins;
- preparo de covas com abertura, adubação e calagem se necessário;
- distribuição e plantio de mudas no campo;
- provisionamento de replantio;
- manutenção periódica: capinas, coroamentos e combate à formigas/cupins;
- implantação e manutenção de aceiros;
- cronograma físico-financeiro;
Todo o processo contará com o acompanhamento técnico durante a implantação e execução das manutenções periódicas com emissão de relatório descritivo e fotográfico.
Na elaboração, execução ou apoio a projetos de educação ambiental os órgãos de extensão, ONG’s locais, secretárias de educação e associação de classes poderão ser envolvidas no processo.
A implantação e acompanhamento de projetos de educação ambiental que poderão ser de caráter regional, local, setorial e temático (água, floresta, qualidade de vida, conservação, biodiversidade, etc.) - envolverá a contratação de consultoria, discussão de público alvo, área de abrangência, tema, forma, meios, criação e produção de materiais e implementação das atividades.

A IMPORTÂNCIA DAS PODAS





As podas fazem parte de um conceito mais amplo, que é o de conservação da vegetação, seja ela nativa, ornamental ou de grandes áreas cultivadas comercialmente para a produção de alimentos. Elas podem ser executadas tendo em vista uma variedade distinta de objetivos, todos eles direcionados ao melhor desempenho possível que podemos obter de uma planta.
De uma maneira geral, podemos dizer que as podas são executadas para que façamos certas correções no desenvolvimento das plantas, de acordo com as necessidades de luz, adubação e irrigação, ou seja, para mantermos a planta saudável e com um desempenho adequado às suas características. É um importante recurso utilizado para obtermos resultados concretos na produção de muitos tipos de plantas e árvores. Desta maneira, torna-se uma técnica economicamente muito importante para agricultores, pois pode representar aumento na produtividade e maiores lucros.
Existem três tipos básicos de podas, que são executadas de acordo com a planta e o objetivo do cultivo. São elas a poda de produção, a poda de limpeza e a poda de formação. A poda de produção, como o nome já explica, visa aumentar a produção e a produtividade de uma planta. É amplamente utilizada no cultivo comercial de frutíferas, por exemplo. Para que este tipo de poda surta os melhores efeitos, o agricultor deverá conhecer muito bem o processo vegetativo das plantas, sob o risco de diminuir a produtividade, ao invés de aumentá-la.
A poda de limpeza é a mais conhecida, utilizada não só em grandes plantações mas, também, em jardinagem caseira. Esta modalidade visa eliminar galhos ou ramos mortos, secos, ou que apresentem má formação. Isto faz com que a energia vital da planta não seja "desperdiçada" com estes ramos ou galhos problemáticos, ajudando no melhor desenvolvimento do vegetal. Por último, existe a poda de formação que é feita no início da vida do vegetal, quando este atinge um certo tamanho e precise sofrer uma correção no rumo de seu desenvolvimento. Este procedimento faz com que as plantas cresçam mais fortes, com boa formação de arbustos, frutificações, etc. e principalmente, alcancem o máximo de sua produtividade através de uma condição bastante saudável.
As podas devem ser feitas com ferramentas adequadas, para cada tipo de planta ou cultura. Não devem ser feitos cortes irregulares e, para isso, os instrumentos utilizados devem ser bem cortantes e afiados. Como as podas são feitas desde pequenos vegetais até grandes árvores, as ferramentas utilizadas podem e devem ser completamente diferentes, variando desde um pequeno alicate especial para poda até uma motosserra, utilizada para a execução de podas em grandes árvores.
Como toda poda é uma "mutilação", mesmo que benéfica, em certos casos é interessante que se utilize algum produto especial, no local do corte, para que haja uma cicatrização mais rápida e eficiente. Esses produtos são facilmente encontrados no comércio especializado.
Por último, é importante ressaltar que em plantações comerciais nas quais os procedimentos de poda geram uma grande quantidade de resíduos (os ramos podados), estes devem ser tratados e utilizados de maneira racional e ecologicamente correta. Não devemos proceder queimadas, em hipótese alguma. Além disso, estes resíduos podem ser aproveitados para a geração de energia, através da produção de biomassa e há, também, a alternativa de uso na produção de composto orgânico.

Cultivo de xaxim e bambu poderá gerar renda no Paraná





Cultivo de xaxim e bambu poderá gerar renda no Paraná

AE Notícias [10/01/2006]



O secretário do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, apresentará aos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde em Brasília nesta quarta-feira (11), dois novos projetos para aumentar a geração de emprego e renda no Paraná. O secretário irá solicitar aos ministérios cerca de R$ 600 mil para concretizar os projetos.

Um deles incentiva a cultura do xaxim em larga escala – hoje uma espécie ameaçada de extinção. O projeto Xaxincultura é de Elzo Ferreira, que, através de pesquisas realizadas em parceria com a Universidade Federal do Paraná, desenvolveu um medicamento que cura totalmente a asma, utilizando o princípio ativo presente nas folhas da planta. A substância para produzir o medicamento não é extraída do caule, portanto sua exploração não compromete o desenvolvimento da árvore.

“O principal objetivo do projeto é difundir a cultura do xaxim no interior do Estado, principalmente naquelas regiões em que ele é nativo, estimulando a agricultura familiar e gerando renda para essas pessoas”, diz o secretário.

O outro projeto já está na fase piloto, na Região Metropolitana de Curitiba em parceria com a prefeitura de Colombo e a Fundação Herbarium de Saúde e Pesquisa. De forma semelhante estimula o cultivo e uso do bambu nos moldes do associativismo e da Economia Solidária. O foco é transformar vegetais que existem em abundância na região em matéria-prima para a produção, que vai desde móveis e artigos para construção civil até a confecção de tecidos, artesanato, alimentos e decoração.

“Uma árvore de bambu leva de 3 a 5 anos para atingir a fase adulta, enquanto outras plantas usadas pela indústria madeireira levam cerca de 10 a 15 anos. Dados como esse mostram como o bambu pode se constituir em fonte alternativa, reduzindo a devastação que nossa mata nativa vem sofrendo”, explica padre Roque.

fonte: http://www.parana-online.com.br/noticias/index.php?op=ver&id=183479&caderno=17

Reserva Ilegal?





Eder Zanetti, Eng Florestal, doutorando UnB
Promover o desenvolvimento sustentado, garantia de qualidade de vida para os
brasileiros desta e das novas gerações, é dever de Estado, garantindo os
direitos de todos os cidadãos. Para desenvolver-se o País precisa ter
condições de competir nos mercados globais. Um dos direitos fundamentais é a
saúde.
A reserva legal, no Brasil, foi instituída pelo código florestal de 1965, no
seu artigo 1º . Naquela época, a intenção clara era a de prover a indústria
com reservas de madeira suficiente, tendo em vista a substituição crescente,
nas propriedades rurais, de florestas por outros usos da terra.
Essa estratégia foi ampliada, na MP 2166-67, aonde lê-se que Reserva Legal é:
área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de
preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à
conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da
biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas.
É importante verificar que a instrumentação necessária para garantir estoques
de madeira e conservação da natureza inexistia, quando da redação do Código
Florestal que, por isso mesmo, obrigava os proprietários rurais a conciliarem o
desenvolvimento com a demanda da sociedade em torno das florestas. Tudo isso
mudou com os novos dispositivos legais.
O PNF - Programa Nacional de Florestas, é a instituição governamental
responsável pela garantia do fornecimento de madeira para a indústria, tanto de
plantações como de florestas nativas, tendo diferentes programas voltados para
esse fim.
Quanto ao segundo aspecto, incorporado pela MP2166-67, vê-se coberto por
diferentes instrumentos legais, destacando-se, sobremaneira, o SNUC - Sistema
Nacional de Unidades de Conservação e os projetos de Corredores Biológicos.
Hoje o Brasil tem mais Unidades de Conservação que qualquer outro país do mundo
e as plantações florestais brasileiras são campeãs planetárias de
produtividade. O que sem dúvida é muito bom para o País, que concilia uma
vasta rede de unidades de conservação com um poderoso setor florestal
industrial.
Contudo, a resistência em se abdicar de uma restrição ao uso da terra
brasileira, tem imposto sérias e crescentes sanções a capacidade competitiva do
País no terreno internacional. Tanto que, em relatório preparado pelo governo
dos EUA, para reunião com o G-8 neste ano de 2005, a respeito da proposta do
grupo, de boicote à madeira ilegal, aparece claramente demonstrado que os
produtores daquele país, se estivessem na Amazônia Brasileira, seriam todos
"ilegais".
Não somente isso, mas a Irlanda, fazendo eco às discussões européias sobre o
agronegócio, incitou seus pares a realizar um boicote a carne brasileira, tendo
em vista os níveis de desmatamento no Brasil. O mesmo procedimento tem sido
promovido em diferentes organizações, principalmente com o apoio de ONGs
ambientalistas de larga infiltração, sugerindo a adoção de barreiras
não-tarifárias para a soja brasileira.
Não existe, no Primeiro Mundo, conceito equivalente à Reserva Legal brasileira;
isso, sem dúvida, coloca em cheque essa estratégia de restrição ao uso das
propriedades brasileiras, já que elas passam a arcar com um ônus que não se
aplica aos produtores dos demais países.
Mas também não param por ai os prejuízos da Reserva Legal para os produtores
brasileiros. Com 1/5 da propriedade inutilizada, os proprietários ficam com
uma reserva que não serve apenas as espécies de fauna e flora ameaçadas, mas
também a biodiversidade que ameaça. Inúmeros trabalhos científicos já
evidenciaram a alta incidência de ratos, baratas, gambás, lagartas e diversos
outros componentes da fauna que utilizam fragmentos florestais como lar.
Nesses locais, eles reproduzem-se livremente e multiplicam as chances de
atingirem a população de humanos.
Com 4/5 das propriedades esse perigo aumenta a níveis inadmissíveis. É
cotidiano o ataque de plantações e animais por indivíduos oriundos de áreas de
Reserva Legal. Na Amazônia, existem estimados 15milhões de diferentes espécies
de insetos. A Febre Aftosa, que causa prejuízos imensos a pecuária nacional,
migra das criações vacinadas para os animais selvagens, retornando para atingir
os animais domésticos em um período posterior.
Na década de 70 ocorreram, na Amazônia, 5 epidemias oriundas de doenças que se
multiplicam nas áreas de florestas nativas. Nos anos 80 foram 6 e na de 90
elas chegaram a 13. A OMS - Organização Mundial de Saúde, abriu a reunião de
2005 trazendo à tona a questão das doenças tropicais, que flagelam 500milhões
de pessoas no mundo. O caso da mutação do vírus da SARS, que se originou de
florestas tropicais, é um dos mais graves do planeta hoje.
Morcegos já mataram 13 pessoas de raiva, este ano, no Pará. A doença de Chagas
atingiu as populações do Sul do Brasil. Roraima bateu recordes de infestação
com Dengue a o Acre tem recordes mundiais de casos de malária.
Enquanto as florestas tropicais estavam isoladas do resto do mundo, a
quantidade e o perigo de propagação das doenças que elas continham, e
viabilizavam, só era conhecido localmente. Com a globalização não somente essa
realidade passou a ser cotidiana, como também passou a ameaçar toda a
população.
Em uma sociedade sem fronteiras, a facilidade do espalhamento de epidemias é
gigante. Os prejuízos causados pela ocorrência da SARS na Ásia, em termos
econômicos e sociais, tornaram-se de conhecimento geral, principalmente com o
isolamento promovido para assegurar que o mal não se espalhasse pelo mundo.
É preciso garantir a segurança da população e a competitividade brasileira. A
responsabilidade pela conservação da natureza e manutenção de estoques
florestais não é mais dos proprietários rurais, ela foi assumida por toda a
sociedade. Já existem mecanismos legais e instituições encarregadas desse
trabalho.
Para competir internacionalmente, é preciso que as regras válidas para os
produtores brasileiros, sejam as mesmas aplicadas aos demais proprietários
rurais pelo mundo.
A Reserva Legal já teve seus objetivos e aplicabilidade superados pela
legislação nacional, que cobrem não somente os aspectos de conservação da
biodiversidade, mas também os de pesquisa, desenvolvimento econômico e social.
Não se justifica diminuir a produtividade rural por conta desses objetivos.
Por outro lado, a crescente ocorrência de danos à saúde da população,
decorrentes da multiplicação e mutação dos microorganismos nas áreas com
florestas nativas, principalmente tropicais, justificam ações no sentido de
garantir a seguridade social, ameaçada pelas áreas de Reserva Legal.
Utilizar o termo Reserva Legal, para definir porções das propriedades rurais,
destinadas a diminuir a competitividade dos produtores brasileiros, e ameaçar a
saúde de nossa população, é sem dúvida, um contra-senso.

CANTEIROS




1) Na elaboração de um canteiro devemos sempre observar alguns obstáculos e impedimentos, tais como: passagens de tubulações, fiações, queda de água e drenagem. Escolha do local, áreas de sol e meia sombra.
2) Escolha das plantas, escolher plantas favoráveis ao meio e que sejam do gosto e atenda expectativa de cada um.
3) Limpeza da área, retirada de entulho, colocação de terra, nivelamento, demarcação, plantio e limpeza.
4) Utilização de equipamentos de segurança, tais como botas, luvas etc.
5) Tipos de solo (claro que aqui necessitaríamos do trabalho de um Agrônomo), mas vamos simplificar e citar alguns tipos de solo: Areia, Argila, Húmus, Material Calcário, Carvão Vegetal, Vermiculita, Terra Vegetal.
6) Ferramentas: Enxada, Enxadão, Rastelo, Regador, Estacas de madeira: para demarcar canteiros.
7) Aconselha-se 10 metros quadrados por pessoa, se for menor escolher plantas que produzem o ano todo , tais como cebolinha, couve e espinafre e incluir plantas de ciclo rápido como a rúcula, coentro ou ainda plantar as mais apreciadas por cada um.
8) Escolher a época de plantio ( consultar Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo) indica a época de algumas hortaliças.
9) Adubação orgânica e química, análise do solo /Ph
10) Controle de Pragas e Doenças


Feita a limpeza do terreno, demarque os canteiros, procurando não ultrapassar 1,20 m de largura para facilitar o trabalho, utilize-se de estacas e cordões para auxiliar na delimitação do canteiro.
Demarcando o canteiro, comece a fazer valas de aproximadamente 30 cm de profundidade, neste local, retirando a terra. Depois de feito a vala, recoloque a terra retirada, mas antes peneirando numa peneira de 0,4 c de malha e coloque-a de modo que o canteiro possua uma elevação de 15 cm. Se a planta for comprida( ex.: nabo) procure fazer valas maiores, com cerca de 60 cm de profundidade para garantir o bom desenvolvimento das raízes.
Quando plantar sementes fazer valas com 2 cm de profundidade e distantes 10 cm um do outro. As sementes deverão ser colocadas uniformemente nas valas e depois cobertas com uma fina camada de terra do próprio canteiro. Devemos proteger o canteiro se por volta do meio dia o sol atingí-lo ou se houver invasão de pássaros (pardais). Cobertura com tela ou ramos com cerca de 30 cm de distância do solo. Alface, Almeirão etc.
Para se plantar em cova, deve-se fazer um buraco com 30 cm de boca por 30 cm de profundidade. A terra retirada deve ser misturada com Húmus de minhoca ou 3 a 4 litros de esterco curtido e recolocar na cova. Após a colocação da mistura, colocar em cova rasa (cerca de 4 cm) semear 3 ou 4 sementes por cova e cobrir com um pouco de terra. Ex.: Abobrinha , Pepino etc.
Recomenda-se irrigar de manhã e à tarde no início do desenvolvimento da planta e depois reduzir para uma rega de manhã no verão ou no entardecer no inverno. Nunca irrigar com sol forte.

Queimadas: um sério problema ambiental



As queimadas representam uma séria ameaça às áreas naturais de nosso país. Elas ocorrem com facilidade nas épocas mais secas do ano e causam graves desastres ambientais. Os grandes incêndios florestais têm início com pequenos focos que podem surgir de diversas maneiras como:
• produção de fogo nas áreas rurais para limpeza de pastos e preparo do solo para o plantio,colheita da cana-de-açúcar, onde se ateia fogo para reduzir a folhagem e facilitar o corte manual,
• balões de festas juninas, que carregam uma labareda interna e ao cairem incendeiam-se,
• queima de lixo dentro de áreas naturais ou próxima a elas,
• pontas de cigarro lançadas na vegetação marginal às estradas e rodovias,
• disputas por terras e protestos sociais, onde os manifestantes utilizam do fogo para bloquear estradas e vias de acesso,
Uma vez iniciado, o fogo se alastra pela ação dos ventos e, somado à falta de chuvas, pode permanecer por dias ou semanas, destruindo ambientes inteiros.
O fogo pode surgir também de maneira natural pela ação dos raios. Este é um fenômeno raro, ocorrendo uma ou no máximo duas vezes por década. No bioma do cerrado, o fogo serve de estímulo para que as sementes do solo germinem e as plantas adultas são adaptadas para resistir à queima. Porém, o fogo freqüente e excessivo, causado pelo descuido humano, tem colocado em sérios riscos não só os ambientes do cerrado, como também da Floresta Amazônica e da Floresta Atlântica.
Grande parte das queimadas em ambientes naturais no Brasil tem inicio nas áreas rurais, onde o fogo é utilizado para limpeza ou preparo do solo. Esta técnica, apesar das conseqüências para a natureza, ainda é bastante utilizada pelos produtores por ser aparentemente um mecanismo barato.
Áreas naturais que sofrem a ação do fogo uma vez ficam mais sujeitas a queimar novamente, pois a vegetação torna-se espaçada e a luz solar atinge o solo com maior facilidade, secando galhos e folhas que acabam servindo de combustível para o próximo incêndio. Durante a segunda queimada o fogo é sempre mais intenso: chega a ser duas vezes maior e dez vezes mais quente, podendo destruir árvores de maior porte sobreviventes à queimada anterior. Assim a floresta gradativamente perde sua resistência e vai desaparecendo.
Além de destruir a vegetação, a queimada causa a morte de muitos animais que ficam ilhados pelo fogo. O solo também é prejudicado, ele perde a camada de húmus e os microorganismos que fazem a decomposição da matéria morta são destruídos. Desta forma, os nutrientes não são renovados e a terra torna-se pobre e infértil. Sem a cobertura vegetal há, ainda, o aumento da erosão e da compactação do solo que impede a infiltração da água de chuva.
Grandes queimadas liberam muita fumaça, que faz diminuir a quantidade de luz que chega até as plantas, atrapalhando seu crescimento e diminuindo as taxas de fotossíntese. O resultado é a redução da disponibilidade de alimento, já que as plantas são os produtores da cadeia alimentar. A fumaça misturada à fuligem, também causa problemas respiratórios nas pessoas. Estudos recentes apontam que a fuligem pode atrapalhar também o processo de formação das chuvas, pois ela absorve o vapor d’água que deixa de condensar-se para formar as gotas da chuva. Veja como isso pode formar um forte círculo vicioso: quanto mais fogo, menos chuva, quanto menos chuva, mais fogo e, desta forma, mais comprometidos ficam os ecossistemas.
A queimada ainda contribui para o superaquecimento do planeta, já que emite grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2), o gás responsável por este efeito global.
Veja alguns números de queimadas no Brasil:
• São detectadas anualmente mais de 300 mil queimadas em todo o país, com nuvens de fumaça que chegam a cobrir milhões de quilômetros quadrados.
• No estado do Rio de Janeiro , todo o mês são perdidas áreas de Floresta Atlântica que eqüivalem a 700 campos de futebol devido a incêndios e queimadas.
• A Floresta Amazônica, entre os anos de 1999 e 2000, perdeu uma área de 20 mil km2, o que representa um campo de futebol a cada 8 segundos.
• Em 2001 só no mês de setembro foram registrados 40.401 focos de incêndios, o mais alto índice dos sete anos anteriores.
• Em apenas uma semana do mês de junho de 2002 foram 2,7 mil focos de queimada registrados em todo o país.
Segundo a Lei de Crimes Ambientais 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, provocar queimada é crime e a punição varia de seis meses a quatro anos de reclusão e multa. Esta lei se refere a todas as pessoas que provocarem incêndios em florestas, fabricam ou soltam balões, aplicam fogo em áreas agropastoris sem autorização dos órgãos ambientais ou colocam fogo em áreas urbanas, por qualquer motivo.
A queimada é prejudicial tanto nas áreas rurais e naturais quanto nas urbanas e a sua prevenção pode ser feitas por todos, por isso:


Não solte balões
Não jogue e não deixe que joguem, pontas de cigarros na beira das estradas ou em locais propícios à queimadaNão jogue fósforos acesos no solo nem faça fogueiras
Não coloque fogo em terrenos baldios como forma de diminuir a sua vegetação
Não queime o lixo
Não deixe velas acesas após rituais religiosos

Se você observar fogo em algum local ou alguém ateando-o indevidamente chame:
IBAMA 0800-618080
Se estiver no Paraná ligue:
IBAMA (41) 322-5125
IAP (41) 333-6163
Lembre-se : o fogo provocado por uma única pessoa pode prejudicar o interesse de toda a sociedade e o meio ambiente. Pense nisso e ajude a apagar esta idéia!