11.2.06

Açafrão

AÇAFRÃO, CÚRCUMA OU ZEDOÁRIA

Nome popular: AÇAFRÃO, CÚRCUMA OU ZEDOÁRIA
Nome científico: Curcuma longa L/C.
Família: Zingiberácea
Sinonímia popular:Açafrão-da índia, açafrão-da-terra, açafroa.
Sinonímia científica: Amonum curcuma Jacq
Parte usada: Rizoma, semelhante ao gengibre, seu parente.
Propriedades terapêuticas:Antiinflamatória, anticoncepcional, antiagregante plaquetária, antiinfecciosa, antiasmática.
Princípios ativos:
Curcuminóides, diferuil metano, curcuminas I e III e outras curcuminas, óleos essenciais, esquislactonas (turmerona), zingibereno, isabolano, cineol, linalol, eugenol, curcumenol, curcumernona
Indicações terapêuticas: Cálculo biliar, vesícula biliar, fígado, psoríase, leucemia, colesterol, câncer de colo
de útero, feridas.
Informações complementares:
Temos vários açafrões: um é a planta chamada Crocus sativus, Lineo, conhecida alhures como Açafrão oriental,
Açafrão cultivado, Açafrão verdadeiro, Flor da aurora, Flor de Hércules, que é um arbusto pequeno muito comum nos jardins do Brasil. Não é deste que falamos aqui. Neste site falamos da Curcuma longa L/C.
Outro é o Curcuma zedoaria (Christm) Roscoe, falso açafrão, zedoária, bastante parecida com a descrição
abaixo, com um diferencial importante - esta tem flor vermelha e a outra tem flores maiores e brancas, mas a
folhagem é idêntica. Usada há séculos como estomáquica.
Outros nomes populares:
Açafroeira, açafroeira-da-índia, batata-amarela, gengibre-amarelo, gengibre-dourado (a cor da raiz no
"curry"), mangarataia (turmeric em inglês), que é o açafrão milenar da medicina chinesa e indiana e também
usada no Brasil como tempero de alimentos, à semelhança do que os indianos fazem no "curry".
Outros sinônimos científicos:
Curcuma domestica Valeton, C.; Sichuanensis XX Chen; Stissera curcuma Racusch
Nome em outros idiomas e países:
Espanhol: Cúrcuma, azafrán de la Índia
Cuba: yuquilla
Inglaterra: turmeric
Itália: curcuma di levante
França: safran des Indes
Origem:
É um planta da Índia, introduzida nas Antilhas e Europa por navegadores. Gosta de solos úmidos, ricos e
argilosos.
Descrição:
Com um rizoma ovóide que contém tubérculos cilíndricos, possui grandes folhas elípticas que partem deste rizoma. Suas flores são amareladas de 15 centímetros de largura em espigas densas.
Princípios ativos:
Em sua composição química, os principais são curcuminóides (corantes) em 2 a 5%, diferuil metano, curcuminas I e III e outras curcuminas. Tem óleos essenciais, onde 60% deles são de sesquislactonas (turmerona), ingibereno, bisabolano, cineol, linalol, eugenol, curcumenol, curcumernona, como
os principais, além de polissarídeos A, B e C, galactano, potássio, resina, glucídios (mais amido).
Sua composição em cada 100 gramos de rizoma é aproximadamente = 354 calorias, 11,4% de água, 7,8% de
proteínas, 9,9 de gorduras, 64,9% de hidratos de carbono, 6,7 %de fibras, 6% de cinzas, 182mg de cálcio,
268mg de fósforo, 41,4mg de ferro, 38 mg de sódio, 2525 mg de potássio, 0,15 mg de tiamina, 0,23 mg de
riboflavina, niacina 5,14mg, ácido ascórbico em 26 mg e caroteno.
Uso medicinal:
Trabalhos realizados fundamentalmente com os corantes mostraram efeitos colerético, colagogo e protetor
hepático em ratas (Ozaki Y. et al., 1988 e outros posteriormente.) Há um estudo que mostra involuções de cálculos biliares com uso de curcumina - Hussain M. et al., 1993 - e melhora das funções de muitas enzimas do fígado : Goud V. et al., 1993, além de ser hepatoprotetor e antitóxico do fígado, como nos diz Donatus I. et al.,em 1990. Na verdade há muitos trabalhos nos dando conta de que é uma ótima planta para os problemas do fígado e vesícula biliar. Há, também, nestes rizomas, atividades pró-digestiva das boas como quer outra série de bons trabalhos científicos. Kiso Y. em 1983 demostrou que ela estimula a digestão. É protetor gástrico, por diminuir a secreção de ácidos segundo Rafatullah S. et al.,1990. Apresenta atividade imunomoduladora estimulante e antiinflamatória em ratas, por potencializar o sistema retículo-endotelial e quem nos diz assim é Kinoshita G et al , 1986 e Gonda R. et al., 1992. Há muitos outros estudos provando sua atividade
antiinflamatória. É uma planta que abaixa o nível de colesterol e lipídios totais no sangue às custas da curcumina. Extrato de Cúrcuma doméstica demonstrou abaixar triglicerídeos e fosfolipídeos em trabalhos de A . Beynen em 1987 e V. Dixit e outros no ano seguinte. A curcumina inibe o acetato de tetradecanoil-forbol que causa tumor de pele, a nitrosamina, causadora de cânceres orais e gástricos e azoximetanol, indutor de câncer em cólon. Nagabhushan M, Bhide S. e Huang M. et al. em 1992 provaram que 2% de curcumina protegem a mucosa do intestino grosso contra este último agente. Ainda é antiagregante plaquetária, antiinfecciosa, antiasmática e útil em casos de despigmentação da pele como na psoríase e alguma leucemia. Em altas doses inibe a ovulação e poderia, então, ser usada como anticoncepcional: trabalho feito na Universidade de Filipinas (publicado em Philippine Journal of Science).
No Oriente é usada como hepatoprotetor, estimulante das vias biliares, antiflatulenta, diurética, afrodisíaca,
diurética, antiparasitária, antifebril, antiinflamatória para a circulação. Na China é usada contra o câncer de colo de útero (em aplicação local e via oral), como fala o Dr. Jorge R. Alonso da Associação Argentina de Fitomedicina.
Indicado:
Externamente é bom cicatrizante e desinfectante de feridas, inclusive de olho, e anti-reumático (usa-se 1% de rizoma em decocção, duas ou três vezes ao dia.) Pode ser usada como extrato seco (5:1 é proporção da
droga vegetal nesta forma farmacêutica) em encapsulados, na dosagem de 80 mg, duas vezes ao dia ou em extrato fluido em 50 gotas por duas ou três tomadas (cada 40 gotas têm um gramo).
A absorção dos princípios ativos dela pelas vias digestivas é boa (cerca de 60%) e não é ulcerogênica
como os antiinflamatórios convencionais, provou em 1986 R. Srimal.
Uso culinário:
A cúrcuma participa do curry, tempero tradicional indiano, e é usada por farmácias como corantes. Aliás,
os trajes típicos budistas têm a cor amarelada pela cúrcuma usada, que não pode substituir o açafrão caseiro
(Crocus sativus Linneo) apenas porque o sabor é muito forte.
Dosagem indicada e uso medicinal do açafrão caseiro:
Este outro açafrão, chamado de açafrão verdadeiro (ou cultivado), açaflor ou erva-ruiva é semelhante ao que
comentamos, porém, mais comum e usado na culinária brasileira. Seus estigmas secos são usados contra gases
intestinais, dores gástricas, atonia digestiva (as raízes também têm esta ação), afecções das vias urinárias, calculose renal e da vesícula biliar, e para problemas do sistema respiratório.
Usam-se as raízes ainda para a circulação do sangue e como antihipertensivo, oralmente, por infuso de uma
colher de sobremesa para cada xícara de água, uma a três vezes ao dia. Os estigmas são usados também por infusão (15 estigmas por xícara de água), três xícaras por dia: aceleram a digestão.
Efeito colateral:
Um cuidado é importante ter: não tomar mais que 10 gramos por dia (30 estigmas ou quatro colheres de
sobremesa) porque esta planta é tóxica em grandes doses, podendo dar alteração no sistema nervoso, ou provocar abortos.
Colaboração:
Dr. Luis Carlos Leme Franco (Curitiba, PR) - março, 2004
Texto de seu livro "Fitoterapia para a Mulher".



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Um comentário:

Francine disse...

muito legal essa sua ideia....um blog de plantas!!!