20.8.08

COMPOSTAGEM / ADUBAÇÃO

1. Compostagem orgânica em apartamento -

No início comecei com potes de sorvete, juntando e colocando ao fundo, em partes +/- iguais:

Parte 1 - marrom
- folhas secas de plantas;

Parte 2 - verde
- cascas e restos de comida partidos ou triturados (folhas de alface "queimadas"; cascas de batata, cebola, alho, cenoura, aipim, inhame, batata-baroa, chuchu, abobrinha, cascas de frutas, etc; folhas amarelas e talos de agrião (os talos depois passei a usar em sopas), borras de café, restos de pão e por aí vai;
- cascas de ovo trituradas (em pequenas quantidades);
- frutas podres;
- restos de comida (arroz azedo, feijão azedo, restos que ninguém mais quer comer etc) ;

opcional
- restos de unhas cortadas;


Como fazer?

Tudo que fosse orgânico eu ia depositando ao fundo dos potes de sorvete, fazendo camadas da "parte 1" com as da "parte 2", sempre em proporções iguais, e ao finalizar jogava algumas unhas cortadas por cima e cobria com terra, jogava um pouco d'água para molhar a terra e deixava sem tampar, para que os "bichinhos" viessem. Rotulava com data do início da experiência, para ter algum controle de tempo.

Daí comecei a perceber que o volume de "restos" era muito grande e não haviam potes suficientes Passei então a usar bacias, baldes e quase comprei uma bombona plástica para me ajudar. Tive que reduzir a quantidade de restos destinados à compostagem, pois a quantidade de restos era muito grande e não havia espaço para tanto - além de me faltarem folhas secas.

Comecei então a definir intervalos para produzir composto. Cerca de dois meses, para cada experiência. Fiquei com 8 potes, duas bacias e um balde.

Durante as primeiras duas semanas eu nem mexia na terra dos potes, deixava lá quieto e somente observava. Em alguns eu molhava demais, outros de menos, noutros em remexia a terra e nalguns, sem querer, acabava deixando exposto a parte orgânica. Nestes acabaram aparecendo larvas de insetos e cheiro ruim.

O que aprendi com a experiência ?

- Usar uma bandeja plástica com alças, dessas de lojas de 1,99, de bom tamanho, para evitar sujeiras. Fazer todo o processo em cima das bandejas evita o uso de jornal.

- Nunca deixar secar completamente a terra; quando estiver muito calor o composto seca mais rápido, então tem que levar mais água - análogo à rega das plantas - e também nunca encharcar;

- Nunca expor a parte orgânica ao ar diretamente; sempre deixar coberto com terra, para evitar cheiro ruim e aparecimento de larvas de insetos - os "bichinhos" acham os resíduos;

- Remexer somente depois de duas semanas, sempre deixando espaço para uma possível adição de terra, para cobrir caso a parte orgânica fique exposta - eu retirava um pouco da terra de cobertura de um pote, passava para um pote vazio, remexia e depois colocava no pote vazio, cobria com terra, molhando em seguida;

- Restos orgânicos, quando a gente começa a separar destinando a uma compostagem, sempre acabam acumulando e podem virar um problema - pelo menos aqui no apartamento, pois sempre tivemos o costume de ingerir diversos alimentos crus e cozidos, daí sobrarem tantas cascas;

- Depois que passei a adubar as plantas com composto orgânico, variando a dosagem de acordo com o tamanho da planta e/ou tamanho do vaso, as plantas tiveram uma resposta extremamente positiva; praticamente desapareceram as pragas, a terra dos vasos ficou mais aerada, pude diminuir a quantidade de água das regas e as plantas ficaram mais viçosas.

- O composto, ao final de dois meses (tempo variável em função da quantidade de reviradas para cada pote) fica com um cheiro característico, bom, totalmente solto e com cor de marrom para preta;

- Fazendo de tempos em tempos composto em apartamento, nunca mais tive que me preocupar em comprar adubo;

- Para adubar bromélias, se forem espécies de adubação foliar, basta coar a terra do composto em filtro de tela fina e usar a água em pequenas quantidades para regas destas plantas, de tempos em tempos.

- 1.1. Compostagem para quem mora em casa -

Quem mora em casa possui um potencial excelente para aproveitar os restos de comida / cascas não utilizadas na alimentação e folhas secas. Podem fazer compostadores de tijolos ou preparar leiras no quintal, para fazer um adubo de primeira qualidade.

Basta ampliar a experiência acima, fazendo camadas intercaladas de palha, galhos partidos e folhas secas (parte 1), com uma partes "verdes" (parte 2). Não é necessário adicionar terra, caso o fundo do compostador ou da leira estejam em contato com a terra (esta fornecerá microorganismos).

No caso do compostador, o ideal é ter dois compartimentos, e ir retirando de cima da pilha o material do compartimento 1 e ir colocando no compartimento 2.

No caso da leira, pode-se revirar o composto com um garfo ou pá, mudando de um local para outro a pilha, sempre recobrindo ao final com folhas secas ou palha.

Existe também a possibilidade de colocar no meio da pilha um cano de PVC de boa espessura, com furos nas laterais, para melhorar a aeração e não ser necessário remexer. Não testei estas alternativas ainda.



- 2. Uso de cinzas na adubação -

Quando sobram folhas e galhos secos nas casas com quintais, é comum ir juntando uma pilha no meio de algum lugar vazio do quintal. A maioria das pessoas simplesmente taca fogo, para diminuir a pilha, mas infelizmente esquece que as cinzas que restam após a queima são excelentes adubos.

Com uma pá, um carrinho de mão ou balde, pode-se reunir estas cinzas, para espalhá-lhas em volta de árvores, arbustos e plantas de jardim. O resultado é maravilhoso, pois as plantas passam a desenvolver-se mais, ganham mais folhas, florescem mais e no caso das frutíferas, havendo polinizadores nas imediações, estas gerarão mais frutos e de excelente sabor.

É claro que a construção e uso correto de um compostador melhora em qualidade o resultado final, pois são mais nutrientes (oligoelementos) advindos dos restos de alimentos, para as plantas. Tenho certeza que elas agradecerão, da forma que a Natureza sabe fazer.

Espero que seja de utilidade este texto, e desperte em vocês a vontade de experimentar a compostagem. Dá um certo trabalho, mas garanto que vão gostar.


Caso queiram mais informações, recomendo acessar os seguintes links:

Centro de Demonstração de Compostagem
http://www.tudosobreplantas.com.br/abre_link.asp?cl=153

USP Recicla - Faça uma composteira
http://www.tudosobreplantas.com.br/abre_link.asp?cl=198

4 comentários:

Thaís disse...

Legal...super bacana suas descobertas na prática!!
Sou estgiária do USP Recicla de São Carlos no projeto compostagem como instrumento de educação ambiental.Gostaria de trocar experiências e material sobre o assunto.Meu e mail eh compostagem.recicla@gmail.com espero podermos conversar!!

Marcelo disse...

Oi Evandro, poxa bacana o seu blog. Estou me formando essa ano em Técnico em Meio Ambiente. Em junho estarei apresentando uma composteira feita totamelmente de material reciclado. Bem, no atual momento estou com uma infestação de larvas, mas pude perceber que as mesmas surgiram logo após muita chuva, aumentando a umidade e por uma cobertura mal feita. Só uma dica, estou usando serragem como cobertura escura, consigo gratuitamente e em quantidade. Abraço e parabéns pela iniciativa.

Anônimo disse...

É normal aparecerem larvas?

Anônimo disse...

sim, é normal aparecerem larvas e outros tipos de vermes, pois eles são responsáveis pelo processo de fertilização dos resíduos .